‘Literatura em todos os sentidos’ foi o mote norteador da 11ª edição da Feira do Livro de Jaraguá do Sul. Se a literatura corporifica a diversidade das manifestações humanas, podemos então admitir, figurativamente, que o extenso corredor da grande tenda se transformou, por 11 dias, em um duto por onde escoou passado, presente e futuro dessa aventura exploratória.

Por conta do lançamento de meu primeiro livro solo, “Palavra Aberta”, tive a grata experiência de vivenciar, entre 10 a 20 de agosto, o interior ambiental daquela tenda ‘alquimista’, onde livros se transformam em elixir para quem busca “viver mais”.

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Confesso que me aguçou a imaginação e desejo de lá morar por definitivo. Cada dia uma nova linha, um novo parágrafo, uma nova página, uma nova descoberta dessa odisseia existencial. Então, se uma visita pontual à feira já proporciona momentânea saciedade aos sedentos, imagine habitá-la ao longo de sua duração!

Portanto, são duas possibilidades agregadoras, ‘passar na feira’ e ‘passar com a feira’. Identifiquei que ‘passar com a feira’ é sentir sua essência e dimensão. É descobrir que uma fria garoa, livros e chocolate quente formam uma perfeita e instigante combinação.

É perceber em cada sacola de livros, uma panaceia para um mundo melhor. É testemunhar deslumbrado a atitude de um pai que confia a carteira de dinheiro à filha de 7 anos e recomenda que vá fazer suas compras de livros enquanto troca uma casual conversa comigo. É se sentir comicamente extasiado ao vê-la voltar com duas sacolas abarrotadas, carteira vazia, seguida de uma efusiva gargalhada do pai.

É receber, fascinado, o autógrafo do pequeno grande escritor Herick Bianchi, de 11 anos, lançando sua primeira obra “O Mundo de Herick”, e se convencer de que o Brasil tem jeito. É ser surpreendido com a sensibilidade e elegância do escritor, editor, roteirista e caricaturista, Isaac Huna, me presenteando com uma caricatura. É semear promissoras amizades com leitores, escritores e artistas mais diversos que por lá passaram.

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Mas ‘passar com a feira’ é, também, apostar na promessa e perder para o esquecimento. É apostar no ‘valor’ do livro e perder para o ‘preço’. É apostar na consideração por uma conquista e perder para o poder inercial do pijama. É apostar na amizade e perder para a indiferença. É ter que engolir argumentos mesquinhos e falaciosos do gênero, “desculpe, não tenho o costume de comprar livros, os que leio empresto dos amigos”.

Ou então, essa máxima vinda de um ex-vereador: “isso não é minha praia, veja você que minha família ainda está encalhada lá nos primeiros estandes e eu já estou na saída”. Veio-me de súbito um “tchau”, aflorandou-me a ira do saudoso Mário Quintana, “os verdadeiros analfabetos são aqueles que aprenderam a ler e não leem”.

Por fim, ‘passar com a feira’ é corroborar a dedicação dos perseverantes que acreditam nessa nobre causa. Cabe então, em nome dos escritores João Chiodini e Carlos Henrique Schroeder, enaltecer todos esses visionários, comissão organizadora, patrocinadores, apoiadores, escritores, editores, artistas e visitantes, responsáveis pelo sucesso do evento. Até 2018.

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