O tema do meu último café com bobagens versou sobre um mix de antropologia, filosofia e outros dilemas existenciais. Evidentemente que não chegamos a lugar algum, até porque, o próprio termo “antropo filosófico” também não se encontra em dicionário algum. Mas o cafeinado propósito era divagar sobre a interrogação mais remota da existência humana, da qual ainda não se chegou a uma resposta confortável: “o que é o homem além de um ser que come e defeca?”

Eu iniciei arriscando um palpite jogado ao léu: o homem é um ser racional que costura um conjunto de retalhos acerca de suas verdades e descobertas. Entre bebericadas de café, meu brother matutou por uns segundos, e rebateu: pra mim o homem é muito mais do que isso. Ele é imagem e semelhança de Deus. Ao que retruquei: sinceramente, não consigo imaginar Deus como nossa estampa. Talvez uma parte Dele. E justifiquei: admito que o homem seja, de fato, uma obra extraordinária.

A concepção do projeto é absolutamente perfeita, porém, a funcionalidade pós lançamento, se revelou decepcionante. Penso que o Altíssimo Onicriador tenha superestimado a capacidade do homem. Ao permitir que descesse das árvores, deixou o diligente recado: “vá, agora é com você, se vire.” Reconheço que a mensagem tenha sido divina, porém, a interpretação foi literal e terrena. Não demorou para que o bípede humanoide descobrisse o deleite do poder, e com ele, a ideia antropocêntrica de mundo.

Assumiu o comando, como figura central, se achando indispensável. Depois descobriu a ciência e se achou poderoso. Por fim, descobriu a política e se apoderou da cadeira de Deus. Inicia-se assim, o onipotente e onisciente reino da estupidez humana. E sua onipresença gerou alienados seguidores e, por decorrência, o inferno na terra. Por isso, estou convicto de que a bíblica frase do Gênesis, “crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra,” não tenha sido proferida por Deus, mas por um anjo decaído ou um tendencioso político fariseu daquele tempo.

O brother bebericou mais um gole de café e disparou: vem cá, você é ateu né? Ao que respondi: ledo engano prezado carola. Me considero um cristão flex. Então ele insistiu: na minha concepção, o homem é tudo. E na minha, o homem é quase tudo de nada – concluí. Aprofundaremos o tema no próximo café com bobagens.