A rotina diária dessa ilustre e longeva leitora da comunidade de assinantes do O Correio do Povo, nascida em 22 de fevereiro de 1915, inicia-se com o café da manhã e a leitura do jornal. Quando o OCP nasceu, em 1919, Emília já tinha 4 anos de idade. Enquanto o planeta era abalado pela 1ª Guerra Mundial (1914-1918), o físico Albert Einstein publicava sua teoria da relatividade geral (E=mc²), e Franz Kafka publicava sua primeira obra “A Metamorfose”.

O mundo do cinema ganhava gênios como: Anthony Quinn, Ingrid Bergman e Grande Otelo, enquanto o mundo da música ganhava Frank Sinatra. O nordeste brasileiro era castigado pela maior seca de todos os tempos, o que inspirou a obra “O Quinze” de Rachel de Queiroz. Como uma de nossas mais longevas assinantes, certamente Emília acompanhou no OCP, a criação da Comarca de Jaraguá, em 4 de abril de 1934. Deve ter lido e testemunhado o sobrevoo, por Jaraguá, do dirigível Hindenburg em 1936.

Neste mesmo ano, provavelmente leu e vivenciou momentos tensos da política jaraguaense, com o conflito integralista que deixou mortos e feridos. Se Emília ficou sem as notícias da 1ª Guerra, sem dúvida, na 2ª Guerra (1939-1945), entre seus 24 e 30 anos, acompanhou toda a cobertura do conflito nas páginas do OCP. Mas, como numa guerra todo mundo perde, também Emília perdeu, nesse período sombrio, o direito de ler e falar os idiomas alemão e italiano.

A guerra se foi e Emília presenciou o surgimento da televisão no Brasil em 1959. Se não assistiu nossa primeira taça do mundo, deve ter lido no OCP. Nossa longeva assinante, leu todas as notícias que marcaram a história e o desenvolvimento de sua Jaraguá e que impactaram sua vida. Hoje ela é a notícia, digna de editorial. Nossa gratidão, carinho e admiração à Sra Emília e familiares.