Sua descoberta costuma ser acompanhada de um susto: um barulho alto na calada da noite, vindo do quarto da criança. Quando deveria estar em pleno relaxamento, ela está produzindo ruídos de gente grande ao ranger os dentes com força.

Problema comum – e em geral passageiro – em crianças de dois a 12 anos, o bruxismo infantil não tem uma causa única e ainda está distante de sentenças científicas.

Existe uma crença antiga associando bruxismo com verminose. Isso é apenas uma crença, não existem estudos científicos que comprovem essa relação.

Como mencionado no artigo anterior, existem dois tipos de bruxismo, sendo o mais comum o do sono, mas também existe o chamado bruxismo da vigília. Quando acordada, a criança mantém os dentes apertados, como se estivesse em uma situação estressante. Esse segundo é mais comum em crianças maiores e adolescentes.

É importante ressaltar que o hábito de ranger os dentes durante a noite é considerado um distúrbio do sono e aparece, na maioria das vezes, em crianças que possuem a qualidade do sono ruim, que pode ser acarretada por vários fatores. Entre eles estão: alteração do trato respiratório e/ou gástrico; a enurese - urinar na cama involuntariamente -; sonilóquio - falar dormindo; e sonambulismo.

O aparecimento do bruxismo também pode estar relacionado a transtornos como ansiedade, hiperatividade, déficit de atenção e prescrição de medicamentos controlados.

A condição pode se agravar com crianças que passam muito tempo em frente às telas. É importante ressaltar que a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que a exposição de crianças com até 2 anos de idade aos aparelhos eletrônicos seja nula. Isso acontece porque elas ficam em estados de concentração muito prolongados e podem apertar e ranger mais os dentes.

Uma das formas de tratamento do bruxismo do sono se baseia em “higiene do sono”, que são hábitos comportamentais saudáveis na hora de dormir e devem ser adotados desde cedo: evitar eletrônicos para a criança adormecer, praticar técnicas de relaxamento, ter rotina para dormir e acordar, quarto bem arejado, limpo e silencioso, ambiente escuro durante a noite, ter uma boa alimentação, com alimentos que exigem mais a mastigação, evitando bebidas como cafeína e refrigerantes.

Além disso também é importante tomar atitudes para evitar quadro alérgico, bem como incentivar a prática de atividades físicas.

É importante que os pais prestem atenção nas crianças que tenham esses sintomas. O papel do dentista é fundamental para fazer o diagnóstico e identificar os fatores envolvidos no aparecimento do bruxismo nas crianças e determinar o nível do desgaste dos dentes. O tratamento muitas vezes deve ser multidisciplinar.

A melhora dessa condição clínica vai interferir diretamente na qualidade do sono da criança, melhorando sua disposição, saúde sistêmica, aprendizado e estado emocional favorecendo o crescimento e qualidade de vida.

Dra. Kellyn Rengel Bertoldi - Cursando especialização em DTM e Dor Orofacial na Universidade Tuiuti – PR. Graduou-se na Universidade Regional de Blumenau, FURB, em 2002. Desde então, está em constante atualização: Curso de Aperfeiçoamento em Oclusão Clínica – Bauru – SP; Capacitação em Human Body Total Care – Regulador Funcional Aragão – SP ; Capacitação em Harmonização Orofacial; Capacitação em Atingindo a Excelência em Resina Composta; Capacitação Odontologia do Sono na IEO – Bauru SP, membro do DSM Brasil (Dental Sleep Medice), Capacitação em Odontologia do Esporte - RS, Credenciada da Biologix (Monitoramento Digital da Apneia do Sono).