Por onde posso começar?! Acho que muitos de vocês já sabem que eu tive no início de 2020 aborto de gêmeos, e isso mexeu demais comigo, e acho que talvez por isso que esse pré-natal me pegou tanto!

Sim, estamos falando de um pré-natal de gêmeos e uma gestante tão pilateira..., Nossa Senhora do Bom Parto!

A Michele é carioca, e graças a Deus eu tenho um monte de cariocas no consultório, porque pré-natal de carioca é sinônimo de diversão! Me estrago de rir com elas! Além desse pequeno tocante da gemelaridade, a Mi tem uma doença incomum chamado hemoglobinopatia C - lembra que eu sempre falo dos desafios?!

Fizemos muitos exames, avaliação oftalmológica, ultrassom de abdômen total, avaliação cardiológica. Ufa, cansei só de falar, imagina a Mi de fazer?! Mas todos normais! Restava apenas a questão da gemelaridade. Que por sorte era do tipo que mais acalma o coração dos obstetras, quando as placentas e as bolsas são separadas.

Esses bebês podem ser idênticos ou ser diferentes. Impossível saber. Mas esse tipo de gêmeos é o que menos traz complicações, quer dizer além do aumento de risco de pré-eclâmpsia (pressão alta da gravidez), diabetes gestacional, trabalho de parto prematuro, infecções na gravidez, romper bolsa antes do tempo, restrição de crescimento de um dos bebês ou dos dois bebês, e por aí vai...

Mas o momento do nascimento desses bebês não precisa ser tão adiantado, a menos é, claro, que tenha alguma complicação. Sim, acreditem, gêmeos que dividem a placenta e principalmente aqueles que dividem a mesma bolsa tem mais problemas ainda! Daqueles de criar cabelos brancos!

Para os curiosos de plantão, os meus “geminhos” eram do tipo de gemelaridade que causa uma cabeça branca inteirinha, extremamente raro: mesma bolsa e mesma placenta, e necessariamente idênticos.

Caso a gravidez tivesse prosseguido, seria provavelmente uma gestação daquelas de ficar na cama do início ao fim, e nascimento super precoce. Acho que Deus sabe o que faz, afinal, assim não teria trazido tantos bebês lindos ao mundo esse ano. Resta confiar Nele, concordam?

A Mi foi uma paciente 5 estrelinhas, super pontual com exames e retornos, e apesar de estar plenamente ciente de ser uma gravidez de risco, nunca perdeu o bom-humor. E por mais que a gravidez tenha fluído super bem, tivemos um pequeno susto, uma internação, ainda que rápida, por pieloefrite (infecção nos rins).

Mas como disse foi rápida e a Mi respondeu prontamente aos antibióticos. Mesmo sendo gêmeos, e a Mi certamente ter sentido o peso de dois bebês, fez pilates do início ao final! Afinal ela é instrutora de pilates, e gentem, vocês não fazem ideia das cambalhotas e posturas que ela fazia!

Uma loucura! Mas talvez por essa atividade física voltada ao fortalecimento da musculatura, entre elas a pélvica e das costas, que a Mi precisou de poucos medicamentos para controlar aquelas queixas normais de toda gravidez. Ela realmente estava ótima, quer dizer, ótima até que rompeu a bolsa!

Lembra que eu disse lá no início que pode acontecer um monte de coisas com gêmeos, inclusive romper a bolsa antes do tempo? Pois é. Foi o que aconteceu com a Mi, o Lucas e o Davi. As 35 semanas, em plena madrugada, a Mi acordou numa poça de líquido, e não teve dúvidas em me chamar, confirmamos bolsa rota e fizemos a cesária ainda de madrugada.

Eu sempre repito que cada gravidez é única, mas volta e meia, algumas situações se repetem. Na primeira cesária da Michele (do Kauã), a sua mãe havia ficado presa no elevador, na segunda vez fui eu, mas não foi por muito tempo, e logo cheguei no centro cirúrgico.

Eu não me preocupei porque não havia necessidade de tanta pressa assim, afinal, ainda que tivesse rompido a bolsa, ela não estava em trabalho de parto. Eu só estava ligeiramente apreensiva porque o Lucas estava pélvico, de bumbum para baixo.

Na verdade, o Davi também estava, mas né que quando tirei o Lucas (nasceu de bunda pro mundo esse menino), o Davi virou e nasceu de cabeça.

Acho que eles estavam tão apertados ali dentro, que depois que o Lucas saiu, sobrou espaço! E apesar de tanto aperto, e termos chego a 35 semanas, pasmem a Michele não teve NENHUMA estria. Êta, pele morena boa!!! Ahhh, e dessa vez eu consegui prestar atenção na música do momento do nascimento, mas provavelmente é porque gosto demais do Nando Reis, ou talvez foi o sono interrompido, Lucas e Davi vieram ao mundo ao som de “Para você guardei o amor”.

Os meninos nasceram com 35 semanas e 1 dia, e mesmo com o peso adequado, precisaram de 24 horas de unidade intermediária, afinal eles ainda eram prematuros, mas eles estavam tão bem, mas tão bem, que nem precisaram de oxigênio, ou qualquer intervenção que fosse, e no dia seguinte já estavam no quarto com a Mi, e mamavam que é uma loucura, dois bezerros e os safados já tem uma mama favorita, acreditam?!

Eu disse que as cariocas são alegria certa, né que a Mi saiu da cesária já pedindo histórinha? Só pra rir! Lógico que ia ter, Dona Michelle!! Pensa num pré-natal alto astral, acho que fora o início (a Mi começou o pré-natal enquanto eu ainda estava me recuperando da curetagem) eu não pensei mais na minha história, não tinha como.

Era tanta risada, tantas conversas, tanta alegria, acompanhada de uma boa dose de susto (em toda gravidez de gêmeos vejo o susto na cara das mamães, e nem precisa ser gêmeos, a maioria das mamães começam o pré-natal assustadas), por esses bebês estarem a caminho que me contagiei.

Fui picada pelo mosquito da felicidade e segui nesse caminho de tijolos amarelos em direção a magia da vida! Mi, gata, que saudades que vou ficar! Mas eu estou tão feliz que a sua gestação foi assim plena! Que esses meninos vieram ao mundo saudáveis e cheio de vida!

Tão tão lindos! Obrigado por fazer parte do meu processo de cura! E que as suas vidas sejam sempre iluminadas!