Foto divulgação.
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As glândulas de Bartholin, ou glândulas vestibulares maiores, estão localizadas uma de cada lado interno dos lábios menores da vulva (área externa à vagina). Elas são importantes porque quando a mulher está excitada, produz fluido lubrificante.

O cisto é formado quando no trajeto dos ductos que ligam a glândula até a vagina ocorre uma obstrução, como a glândula não para de produzir o líquido, começa a se acumular esse líquido formando o cisto (como se fosse uma bolsa de líquido, que começa a crescer e pode ficar tão grande a ponto de causar dor).

Aproximadamente 2% das consultas ginecológicas ao ano em mulheres antes da menopausa são por causa de bartolinite. No Brasil a média de idade de ocorrência é de 37 anos de acordo com um estudo realizado em 2012.

Os sintomas são variáveis, e estão associados as dimensões que o cisto pode adquirir, como dor que piora ao andar e sentar. Se o cisto se tornar um abscesso (acúmulo de pus) a dor se torna muito importante, além de náuseas, vômitos e febre.

O cisto geralmente ocorre unilateralmente (de um lado só), se acontecer dos dois lados a causa pode ser outra. O diagnóstico é feito pelo exame físico ginecológico no consultório.

Os abscessos de glândula de Bartholin são mais comuns em mulheres solteiras e/ou de origem socioeconômica mais baixa.

Algumas vezes, por mais que possa parecer ser uma bartolinite, existem doenças que se comportam de forma semelhante como outros cistos: cistos de inclusão epidérmica, cisto de canal de Nuck e Skene. Raramente bartolinite é confundida com câncer. Porém, em pacientes com bartolinite acima de 40 anos, o material retirado (da drenagem) deve ser encaminhado para análise.

Tratamento

O tratamento pode ser feito com antibióticos, drenagem, marsupialização, retirada da glândula, fistulização, destruição ou cauterização do cisto com nitrato de prata e laser de CO2. Mas fiquem tranquilos que vou explicar o que significa cada um.

A marsupialização é uma cirurgia realizada sob sedação (paciente fica adormecida), no centro cirúrgico, é uma pequena incisão de 1,5 a 3 centímetros sobre o abscesso, permitindo a drenagem. Logo após se abre a cápsula do cisto e essas são presas com pontos no exterior, mantendo o cisto aberto e impedindo que se feche de novo. Assim é formado um pequeno buraco dentro da vagina, este pode ser irrigado, e fecha com o tempo. Quando se realiza esse procedimento 2 a 25% das mulheres voltam a ter bartolinite.

A fistulização pode ser realizada no consultório, é uma pequena cirurgia sob anestesia local, após a drenagem é colocado um dreno dentro do cisto com uma bolsa na extremidade, se enche essa bolsa com solução salina (soro fisiológico estéril) e a retira após 6 semanas. Uma outra opção é invés de colocar o dreno seria um anel (anel de Jacobi). Em 4 a 17% dos casos voltou a ter bartolinite após o procedimento.

Em alguns casos, após a drenagem que pode ser feita em consultório, é colocado o nitrato de prata por 48 horas e retirado. 26,3% das mulheres voltam a ter bartolinite. Muitas mulheres reclamaram de ardência, dor na relação sexual e hematoma após o uso do nitrato de prata.

A escleroterapia com álcool, nada mais é que após a drenagem do cisto, o local é irrigado com álcool 70% por 5 minutos, e retirado. Entre essas pacientes, 8 a 10% voltam a ter sintomas.

A bartolinectomia é a retirada de toda a glândula, é utilizado quando outros procedimentos falham. Não pode ser realizado quando está com infecção, e precisa ser feito em centro cirúrgico.

O laser de CO2 pode ser aplicado em ambulatório, é rápido (média de 7 minutos), mas é caro, as pacientes relatam pouco desconforto! Taxa de sucesso com uma única aplicação 95,7%. Sendo um dos métodos mais promissores, ainda que não seja de fácil acesso à população.

Ficou com dúvidas? Pergunte ao seu médico! Se eu for sua médica, converse comigo. Mais informações nas mídias sociais: @drajulianabizatto.

Referências Bibliográficas

  1. Tratamento do cisto da glândula de Bartholin com laser de CO2. Mar 2016. Speck.
  2. Ginecologia de Williams. 2 edição. 2014.

Dra. Juliana Bizatto

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