Estamos próximos do natal e com ele as celebrações em família, presentes, comida e festa. Para muitos de nós, também com encontros desconfortáveis, cicatrizes de uma vida toda de convivência que não deixa de ter seus espinhos.

Certamente quase todos vocês alguma vez na vida já passaram por aquele momento de olhar para os presentes e fingir que não está desapontado. Uma pessoa querida te dá de uma roupa de presente, dizendo que é linda e a sua cara, bateu o olho na vitrine e imediatamente pensou em você.

Com toda ansiedade você abre o pacote com cuidado, para descobrir que na verdade acha aquela roupa bem de mal gosto, e pior, não é do seu tamanho. Tentando experimentar, vê que além de não gostar da aparência, cai errado, é desconfortável, e pior ainda, pinica.

Mas ao olhar para a pessoa, vê os olhinhos dela brilhando, achando tudo lindo, e querendo muito ouvir que você gostou. Ficamos num dilema, aceitamos o desconforto, expressamos o nosso desgostar, ou recusamos o presente, arriscando magoar o outro?

Em nome da boa convivência frequentemente colocamos um sorriso falso no rosto, pela alegria do outro, e se dermos sorte, conseguimos trocar o presente na loja sem grandes consequências.

Agora, vamos pensar em outros tipos de presentes que ganhamos, ao longo de toda a vida: as expectativas. Todo mundo as ganha, seja da sociedade, quanto das pessoas mais queridas. Algumas grandes e especiais, outras menores, outras genéricas, outras triviais. A maioria delas dadas cheias de boas intenções, assim como os presentes.

Algumas pessoas ganham a expectativa de trabalhar em uma profissão específica. Outras de ser de um certo jeito (“homens não choram”, ou “meninas comportadas não respondem”). Talvez manter certa aparência, gostar de um esporte ou um time, que vivam em um certo lugar, que se casem com uma certa pessoa, ou um tipo de pessoa.

Quando ganhamos essas expectativas, umas nos soam lindas, nos dão força e esperança de saber que aquela pessoa acredita que podemos ser tudo aquilo. Já outras, bem... são como uma roupa esquisita que é feia, cai mal e pinica.

Quando insistimos em levar a vida nos “vestindo” de um jeito que não gostamos, que nos deixa desconfortáveis, acabamos pagando um preço. Sentimos que as pessoas nos olham e nos acham ridículas. Perdemos amor por nós mesmos, perdemos coragem de enfrentar as coisas que realmente queríamos, de expressar como realmente nos sentimos.

Perdemos a oportunidade de atrair as pessoas que gostariam de nós como nós gostaríamos de ser, para atrair aquelas que gostam da tal “roupa feia que pinica”, e nos sentimos ainda mais inadequados por não gostar daquilo que parece que todo mundo gosta tanto.

Ao contrário da roupa feia, provavelmente não vai ser possível fingir que gostou e devolver na loja. As expectativas acabam sendo presentes contínuos. Aquela pessoa achou que você gostou tanto que agora vai dar o mesmo presente em toda data comemorativa.

Devolver, dizer um não e magoar alguém que te quer bem sempre é difícil, e podemos precisar de ajuda para criar forças para dizer isso, mas arrisco a dizer que quem realmente nos ama e quer bem vai passar por isso, porque nos quer felizes e não vestindo roupas desconfortáveis e que pinicam por toda a vida.

Francisco Hertel Maiochi - Espaço Ciclos
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