Foto divulgação | Pexels
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Todo mundo já se olhou no espelho e se achou horrível, não? A maior parte de nós também já se olhou no espelho e se achou incrível. Como é que podemos mudar tanto a nossa percepção sobre a mesma coisa?

Sabemos que as coisas existem fisicamente, mas por si só, não são belas nem feias, só são. Existem corpos, fotografias, pinturas, música, filmes, paisagens. Elas têm características. Para haver beleza, é preciso haver um olhar, é preciso que existam esses dois fatores, algo lá fora, e meu olhar aqui dentro. A beleza só existe na relação entre estas duas coisas.

Além disso, mais do que a aparência, a beleza também se encontra na relação, no movimento, na emoção. Percebemos como mais belas as pessoas de quem gostamos, apreciamos mais as qualidades das músicas que nos lembram coisas boas da nossa própria vida, independente das qualidades “reais” daquelas notas.

Nosso cérebro cresce e se desenvolve imerso nesse mundo complexo, com algumas coisas pré-programadas, resultado de milhões de anos de evolução: gostamos de simetria, indicadora de uma infância saudável, gostamos de padrões fractais, gostamos de cores vivas, que indicam frutos maduros tão raros ao longo da nossa evolução.

Em cima disso criamos toda uma cultura que passa a valorizar algumas versões dessas características em detrimento de outras. Vemos como a moda muda o tempo todo, como formas e silhuetas belas para uma época se tornam estranhas ou feias em outra, para então mais algumas décadas ou séculos passarem e voltarem a ser desejáveis.

A construção do que é belo passa por um processo complexo envolvendo status social, indicações de fazer parte de um grupo social desejável, e não de outro, indesejável. Um exemplo claro é como o que é usado por gente muito rica ou poderosa acaba virando um padrão do que é belo, afinal, muitos de nós desejamos ser ricos e poderosos, e aspiramos a ser como estas pessoas, em parecer como elas se parecem, gostar do que elas gostam de ver, ouvir, fazer.

As vezes parecer tudo isso é atingível, e as vezes não. Ver isto como um problema pode então se tornar um sofrimento impossível de resolver.

Querer ser belo é sempre um desejo de ser visto, visto por alguém, afinal beleza não importa de muita coisa na solidão. Temos medo que sendo “feios” não seremos vistos, nem desejados nem amados.

Não controlamos o olhar do outro, e por isso tentamos mudar nosso corpo, como se pudéssemos adivinhar o que o olhar do outro vê. Esquecemos que ninguém é belo, e que tudo o que percebemos como belo ESTÁ belo PARA alguém. É um olhar contido no tempo e no espaço, em cada relação.

Nunca seremos bonitos e bonitas para todas as pessoas, e querer SER bonito ou bonita é uma tarefa impossível. Também nunca estaremos bonitos ou bonitas em todos os momentos, não controlamos o caminhar dos nossos corpos no tempo, nem o olhar do outro.

Mas controlamos um pouco do nosso olhar. Podemos ver beleza no que estamos sendo. E sabendo que encontramos beleza em nós, sabemos que outros também encontrarão. E já que nunca teremos o desejo de todos podemos procurar os olhares, dentre todos, que percebem aquilo que também vemos como lindo em nós mesmos.

Francisco Hertel Maiochi - Espaço Ciclos

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