O isolamento social nos coloca questões únicas para o amor neste período que vivemos. Alguns de nós lidam com a solidão enquanto estamos todos em casa, talvez conversando com pessoas nos seus celulares, mas sem poder encontrar pessoalmente.

Outros agora acabam convivendo muito mais do que o normal com seus parceiros, e o que para uns pode ser uma coisa muito bem-vinda, depois de tempos de rotinas desencontradas, e para outros pode aumentar conflitos já existentes no casal.

A distância e a proximidade, nos extremos que as encontramos hoje, nos revelam aspectos interessantes de como nos relacionamos. Aqueles que lidam com a solidão desenvolvem um grande desejo, motivados pelo que sentem falta.

Esse estado nos deixa abertos a experiência, convidamos o novo, aceitamos o risco, demonstramos interesse e fascínio. Quanto mais não podemos ter, mais queremos, fica fácil se apaixonar mesmo ser ter visto a pessoa, mas também é fácil criar e acreditar em ilusões.

Com a proximidade lidamos com a segurança, o conforto, mas também com o atrito que surge desta segurança e conforto. Alguns de nós sentem falta de um brilho no olho, de empolgação, de novidade.

Outros se sentem vigiados, presos. A proximidade intensifica o atrito. As coisas que não estavam bem as vezes ficam piores, porque não é mais possível se esconder em outras atividades fora de casa, nem extravasar. Infelizmente os relatos de violência doméstica, e de divórcios, têm aumentado nesta situação.

Os desafios impostos são bem distintos. Como lidar com a ansiedade de não poder conhecer alguém, de não saber se o que se imagina de alguém é como ela realmente é. Será que cheira bem? Trata bem o garçom? Será que o abraço é gostoso?

Caso consigamos lidar bem com a ansiedade e a carência, podemos nos dar conta que a distância também nos permite de alguma forma sermos mais francos. Quando conversamos por texto, pela internet, as vezes conseguimos nos abrir mais, sem tanto medo de represálias ou ressentimentos, e boas coisas podem surgir daí.

Já para aqueles que estão sempre acompanhados, acaba sendo difícil manter algum sentimento de novidade, perigo, brilho. O que nos atrai nas pessoas não é só o que sabemos dela, mas o que não sabemos, existir um mistério, um pensamento diferente do nosso, experiências diferentes das nossas.

Quando todas as experiências são compartilhadas, pode-se acabar sem nada para conversar. É importante aí conseguir criar espaços de individualidade e privacidade, para que os encontros não sejam obrigatórios, mas desejados, e que se tenha algo novo a compartilhar.

Isso pode se demonstrar em ler coisas diferentes, dar espaço, manter conversas e amizades, mesmo à distância. É muito melhor um encontro de duas pessoas completas e interessantes, com coisas a compartilhar, do que duas pessoas com as mesmas experiências, que sentem que já sabem tudo um do outro ao ponto de não terem mais interesse em conversar.

Francisco Hertel Maiochi - Espaço Ciclos

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