Em 1996, um bandido roubou dois bancos em Pittsburgh, nos Estados Unidos, em plena luz do dia. O interessante é ele não ter usado nenhuma máscara ou disfarce, e nem sequer se escondido das câmeras de segurança.

Logo depois, identificado e preso, incrédulo, explicou que, acreditou na dica de um amigo, de esfregar suco de limão no rosto, para ficar invisível às câmaras de segurança.

Esta história chamou a atenção do Prof. David Dunning, da Universidade de Cornell que, em seguida, junto com Justin Kruger, começou a estudar "como alguém pode ficar tão confiante numa ideia absurda".

Na realidade, a ignorância humana é objeto de estudo de ensaios de muitas gerações anteriores, de Sócrates a Darwin. Muitos estudos subsequentes foram realizados para determinar o que desperta, erronea e irreconhecidamente, o comportamento de superioridade de algumas pessoas, entre as quais, líderes familiares e empresariais.

Uma das teorias mais aceitas sobre o assunto é, justamente, a  conhecida como “Efeito Dunning-Kruger”, distúrbio cognitivo, no qual pessoas ignorantes em determinados assuntos acreditam, sem reconhecer sua própria ignorância e limitações, que sabem mais do que aquelas que são estudadas e experimentadas.

Essas pessoas vivem em um "estado de superioridade ilusória", acreditando serem muito sábias, mas que, na realidade, estão muito atrás daquelas que as cercam ou por elas são lideradas, fazendo com que cheguem a decisões erradas e resultados indevidos.

Em outras palavras, a autoconfiança acrítica em si mesmo tem como reflexo a falta de reconhecimento de limites, trazendo, como consequência, prejuízos próprios e a terceiros.

Reflexo, ainda, do "estado de superioridade ilusória", isto é, da incapacidade de reconhecer a própria incompetência, é que, cheios de confiança em si, ainda classificam suas habilidades como superiores, não reconhecendo ou, até, minimizando talentos alheios.

Em resumo, essa "síndrome" acontece quando a ignorância se disfarça de conhecimento, pois quanto mais ignorante alguém é em alguma área, menos percebe a própria ignorância e mais confiante se sente no seu (pouquíssimo) conhecimento.

A lição disto tudo é que devemos trabalhar para controlar o sentimento de superioridade dentro de nós mesmos (em especial, se em cargos de liderança empresarial familiar) e nos abrir para todas as oportunidades de crescimento que surgem quando somos humildes.

Ou seja, ignorantes e incompetentes são muito confiantes, nem sequer fazendo ideia do tanto de conhecimento que não possuem. Isto é, nunca souberam de Sócrates, aquele que disse, referindo-se aos sábios: “só sei que nada sei”.