Foto yjc.ir
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Não se sabe qual será o novo "normal" pós advento do Covid-19, mas, definitivamente, que os brasileiros consigam se reconstruir, radicalmente, sob novas bases.

Brasil, país onde cada ano novo só começa pós carnaval ou pós-Páscoa, agora em 2020, criou-se um novo réveillon, estrategicamente mais adiante: o ‘day after coronaniano’.

Segundo Barry(1), nenhuma doença matou e mudou tanto o mundo como a grande gripe de 1918, a chamada, injustamente, ‘Gripe Espanhola’ (pois enquanto os países da Primeira Guerra censuravam a pandemia, a Espanha, neutra e livre, noticiava o problema), que ceifou entre 50 e 100 milhões de vidas, 5% da população do mundo na época.

Comparativamente, o Covid 19 matou, até abril de 2020, cerca de 275 mil pessoas (0,004% da população mundial).

Pois bem. Conforme Camus(2), “o que é verdadeiro sobre todos os males do mundo também é verdadeiro em relação à peste. Ajuda os homens a se superarem”. Sabe-se, também, que “homens fortes criam tempos fáceis, e tempos fáceis geram homens fracos, mas homens fracos criam tempos difíceis e tempos difíceis geram homens fortes”.

Devido à ‘Gripe Espanhola’, inimigo invisível, a Alemanha perdeu a Primeira Guerra e, face à pesada conta infligida pelos aliados a ela, instilou-se um ressentimento nos alemães que levaria à ascensão do nazismo.

E quanto aos brasileiros? Parece que muitos torcem para que a letargia do isolamento perdure o maior tempo possível, quem sabe, até, via uma segunda onda viral. Ou seja, protelam a volta à luta (pois muitos ainda encaram o trabalho não como fonte de vida, desenvolvimento e prosperidade), usando a pandemia como justificativa enganadora para a procrastinação.

“Empurram com a barriga” encaminhamentos e soluções profissionais, valendo-se do momento ‘coronaniano’ para camuflarem a desídia e desmotivação.

E aí vale lembrar a máxima popular “quem quer fazer alguma coisa, encontra um meio. Quem não quer fazer nada, encontra desculpas”. A desculpa ‘da hora’, com forte componente emocional, o ‘super-hiper 19’, desvia a atenção de comorbidades próprias, como frustrações profissionais, desinteresse pelo trabalho e imobilidade crônica.

Pena, porque a vida é um ciclo e tem-se que passar os próprios tempos difíceis, para que, olhando o passado, se possa aprender com ele e construir um futuro verdadeiramente novo. Tudo a ver com o que disseram Lao-Tsé (“quem vence os outros é forte, mas quem vence a si mesmo, é invencível”) e Benjamin Franklin (“as pessoas que são boas em arranjar desculpas, raramente são boas em qualquer outra coisa”).

Enfim, respeitado o sensato regramento antiepidêmico, temos que voltar a trabalhar, e agora ainda mais duro, para limitar os danos econômicos do Covid-19, encarando proativamente esta nova crise, palavra esta que, em chinês, compõe-se de dois caracteres: um representando perigo (como redução salarial e desemprego) e o outro, oportunidade (como evolução e inovação).

Assim, se cada qual construir já suas contrapartidas às iniciativas governamentais, evitando - via paixão, busca da excelência e equilíbrio emocional - que a imobilidade vire uma ‘bola de neve’, o pós pandemia terá menores impactos econômicos, facilitando a transição do Covid-19 para um “ComVida 20”.

(1): BARRY, John M. A grande gripe. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2004/2020

(2): CAMUS, Albert. A peste. 1947

Disponível para compra na Grafipel, em Jaraguá do Sul. Também com dedicatória personalizada, diretamente com o autor.

Emílio da Silva Neto

Dr. Eng. Industrial, Consultor/Conselheiro/Palestrante/Professor (*) Sócio da ‘3S Consultoria Empresarial Familiar’ (especializada em Processo Decisório Colegiado, Governança, Sucessão, Compartilhamento do Conhecimento e Constituição de Conselhos Consultivos e de Família). Doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento

Curriculum Vitae: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4496236H3

Tese de Doutorado: http://btd.egc.ufsc.br/wp-content/uploads/2016/08/Em%C3%ADlio-da-Silva.pdf
Contatos: emiliodsneto@gmail.com | (47) 9 9977-9595 | www.consultoria3S.com