O Japão, superpotência mundial, conta com mais de 33.000 empresas tradicionais com, ao menos, cem anos de história, mais de 40% do total global, de acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa de Gestão Centenária, com sede em Tóquio. Ainda: mais de 3.100 estão em atividade, há pelo menos dois séculos e cerca de 140 existem há mais de 500 anos. E, surpreendentemente, 19 afirmam estar em atividade contínua desde o primeiro milênio.

Tais negócios, conhecidos como “shinise” (“empreendimentos de longa data”), fonte de orgulho e fascinação aos japoneses, têm apoio público à promoção de seus produtos e são considerados pontos turísticos em guias de viagem.

Um exemplo de “shinise”, é a Ichiwa, que vende “moti”, bolinho de arroz tostado, em uma lojinha de madeira, ao lado de um agitado templo antigo de Quioto. O negócio começou oferecendo um lanche aos viajantes cansados, que atravessavam o Japão, para rezar em busca de alívio contra a pandemia de então… isto, lá no ano 1000.

Quais os "segredos" para tal longevidade em empresas familiares?

O primeiro deles, sendo reutilizado em mais esta pandemia devastante da economia global, é a minimização da preocupação quanto às finanças do negócio, pois as empresas familiares costumam fazer apostas de longo prazo.

Ou seja, colocam a tradição e a estabilidade à frente da lucratividade e do crescimento, permanecendo as mesmas, em sua essência, tornando-se, assim, mais resistentes a guerras, pragas, desastres naturais e à ascensão e queda de impérios.

Tais empreendimentos, normalmente menos dinâmicos que os geridos segundo manuais de economia, oferecem, com sua resiliência, lições para empresas em todos os cantos do mundo, muitas das quais, em mais esta crise, amargaram a falência.

Empresas familiares longevas, também, logicamente, almejam aumentar a lucratividade e ampliar o crescimento e fatia do mercado. Valem-se, contudo, de princípios operacionais completamente diferentes, tendo como maior prioridade manter as portas abertas e fazendo de cada geração um membro da ‘equipe de revezamento’, onde o mais importante é “passar o bastão”.

Outro ‘segredo’ é encontrar e praticar um objetivo elevado, muito mais que um mero texto em quadro de parede intitulado “Nossa Missão”.

No caso da Ichiwa, trata-se da resposta a um chamado religioso: “servir aos peregrinos do templo”.

Esses valores fundamentais, conhecidos como “kakun” (“preceitos familiares”), guiam decisões, ao longo das gerações. Elas cuidam dos funcionários, apoiam a comunidade e se esforçam para fazer produtos que deixem as pessoas orgulhosas, abordagem empresarial esta, essencialmente, japonesa.

Outros "segredos" da longevidade são a acentuada aversão ao risco - moldada, em parte, por crises anteriores - e o acúmulo de reservas de caixa, para continuar operando por, pelo menos, dois anos. Para isso, mesmo, quando têm algum lucro, elas não aumentam o gasto de capital.

Ainda, frequentemente são proprietárias dos imóveis onde funcionam e dependem da ajuda dos familiares para controlar custos, permitindo que acumulem dinheiro.

Por fim, mesmo a empresa ficando pequena para o crescente tamanho da família, todos os seus membros sentem a ‘pressão da história’, carregando em seus ombros e mente o seguinte mote: “enquanto um de nós estiver vivo, precisamos continuar”.

Em síntese, a razão principal, pela qual perseveram na continuidade da empresa é porque todos odeiam a ideia de serem “os responsáveis pelo fim dessa história”.

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Emílio Da Silva Neto

Dr. Eng., Industrial, Consultor, Conselheiro, Palestrante, Professor (*) Sócio da ‘3S Consultoria Empresarial Familiar’ (especializada em Processo Decisório Colegiado, Governança, Sucessão, Compartilhamento do Conhecimento e Constituição de Conselhos Consultivos e de Família). Doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento.

Curriculum Vitae: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4496236H3
Tese de Doutorado: http://btd.egc.ufsc.br/wp-content/uploads/2016/08/Em%C3%ADlio-da-Silva.pdf
Contatos: emiliodsneto@gmail.com | (47) 9 9977-9595 | www.consultoria3S.com