No passado, bem lá distante, ter tempo livre de sobra era sinal de nobreza, pois o trabalho era desprezado, isto é, tido como uma tarefa inferior, a ponto de se avaliar quão pobre era alguém pelo tanto de horas que trabalhava.

Pior, na Roma Antiga, o ócio era visto como uma condição fundamental para a erudição.

Já no século 20, muitos intelectuais alimentaram o sonho do luxo de uma vida de pouco trabalho para todos, como por exemplo, John Maynard Keynes, que, em 1930, fez previsões de semanas de trabalho de 15 horas.

Nada disso, até agora, aconteceu, muito pelo contrário, isto face às incertezas econômicas e ao apetite insaciável pelo consumo, evitando, inclusive, a ‘condenação’ deste comportamento de sobrecarga de trabalho, visto, sim, como algo nobre e edificante, não importando se, para isso, sacrifica-se o tempo com a família ou a saúde.

Assim, hoje, quem tem tempo livre é tido como inútil ou desinteressante, tudo conforme a lógica calvinista, segundo a qual, o trabalho dignifica o homem e quanto mais tempo se passa na labuta, mais admirado se é.

Adicionalmente, a tecnologia vem contribuindo para consagrar o trabalho, já que as empresas dão à sua equipe computadores e smartphones, esperando deles produtividade em tempo integral.

Essa dedicação extrema ao trabalho, é claro, traz dividendos financeiros. Contudo, a obsessão pelo trabalho traz também consequências negativas, como, por exemplo, a desvalorização do lazer, sendo este, muitas vezes, visto como algo errado e desnecessário.

Entretanto, pessoas submetidas a situações de estresse, constantemente, sofrem alterações cerebrais que comprometem funções como a memória e a capacidade de fazer planos, tomar decisões e aprender.

Assim, tirar férias, fazer pausas e evitar o acúmulo de tarefas deve, portanto, estar longe de ser considerado algo supérfluo.

Ademais, ser ocupado demais é prejudicial às relações familiares e sociais.

Para se fugir da cultura da superocupação e da pressa, vale seguir algumas dicas, como:

  1. No trabalho: esforçar-se e trabalhar de verdade para cumprir as demandas dentro do expediente normal
  2. No lazer: desligar-se, organizar-se, tirar férias, libertar-se de culpas
  3. Em casa: relaxar, divertir-se, recarregar a ‘bateria’, dividir tarefas com a família e aceitar que nem tudo precisa estar impecável no lar.

Enfim, chega de seguir a ‘moda’ perigosa, segundo a qual, ser ‘assoberbado’ é ter status. Na realidade, ter tempo para banalidades não é coisa de desocupados e perdedores, é, sim um meio de se buscar qualidade de vida.