Foto Rodolfo Alves Pena
Foto Rodolfo Alves Pena

À primeira vista, a ideia de pedalar mundo afora parece devaneio de aventureiros desvairados: desgaste físico, desconforto (sol e chuva) e riscos enormes (acidentes e assaltos). Mas, compensa, vejamos.

Viajar de bicicleta é uma maneira fantástica de conhecer o mundo: contato direto e profundo com a cultura, o cotidiano, a natureza e as pessoas locais, tudo isto aguçando os sentidos.

A bicicleta, não isolando sons, cheiros, vento, temperatura e umidade, torna o ambiente e seus habitantes muito mais "palpáveis", apresentando a vida como ela, de fato, é. Bem diferente de vê-la pela janela de um veículo, hotel, resort, restaurante ou shopping.

Recentemente, concluído o projeto “Pedalando do Oiapoque ao Chuí”, extremos norte (com a Guiana Francesa) e sul (com o Uruguai) do Brasil, este articulista, que "gira o mundo", de bicicleta, desde 2004, aumenta a sua torcida para que continue no "fundo do baú" o movimento “O Sul é o Meu País”, aquele que defende a separação dos estados do sul do restante da federação e tem sede em Pomerode/SC.

Uma da motivações do movimento, dando as costas ao valor da diversidade cultural na construção de um país, é o mote “chega do sul-sudeste carregar o norte-nordeste nas costas”.

Ao longo da vida, depara-se com diferenças de raça, valores, religião e configurações familiares, diante das quais, a tolerância e o respeito, sem atitudes discriminatórias, auxiliam a vida nestes ambientes de diversidade.

Foram os nordestinos que construíram, como serviçais, as maiores obras de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. No norte-nordeste, há empreendedores nativos de excelência. Há proximidade com fontes de matéria-prima, como cana-de-açúcar, algodão, frutas, cacau e tabaco, próprias para a fabricação de produtos como açúcar, álcool, têxteis, sucos, chocolates e alimentos, por exemplo.

A região nordeste se destaca na extração mineral, especialmente na produção de sal e derivados de petróleo. E, ainda, pode se transformar num dos expressivos geradores mundiais de energia eólica e solar. No norte, a chamada "bioeconomia" afastará, definitivamente, a Amazônia das discussões ambientais.

Mas, o que falta, afinal, para se reduzir a diferença, lá muito mais significativa, entre ricos (sim, existem muitos) e pobres, resultando que impostos do sul tenham que "sustentar" a subsistência do norte-nordeste?

Viajando de bicicleta, "cheirando de perto", com percepção aumentada (em relação a quem viaja em família ou excursão, ficando, quase sempre, confinado em pontos turísticos e comerciais, ambientes estes ‘desconectados’ da realidade ‘nua e crua’ do dia a dia da população), este articulista notou, conversando com locais, que falta à população humilde o espírito de inconformismo com a situação de pobreza e a busca de solução, mediante formação profissional.

Amparados na zona de (des)conforto emoldurada pelo “Deus quer assim”, os pais não provocam os filhos a buscarem efetiva profissionalização que os levem a uma mobilidade social ascendente.

Neste Brasil, país continental de ampla diversidade cultural, racial e climática, mas com idioma único, do Oiapoque ao Chuí, e onde se vê judeu, muçulmano e cristão tomando a mesma caipirinha, a redução da desigualdade norte-nordeste em relação ao sul-sudeste e centro-oeste inclui, necessariamente, uma solução "doméstica", pois o começo de tudo é o lar familiar.

Se bem estruturado, em relação à cobrança de valores, princípios, escolaridade e determinação, os filhos ficam mais preparados para ‘vencer na vida’ em lugar de ‘serem vencidos pela vida’.

Ou seja, que cada pai e mãe de lá, incuta em si e dissemine, a seus filhos, o valor do trabalho, da necessária preparação profissional e da saudável ambição quanto à ascensão econômica. Eis, assim, um caminho para o Brasil ser o "nosso país" (o de todos).

Disponível para compra na Grafipel, em Jaraguá do Sul. Também com dedicatória personalizada, diretamente com o autor.

Emílio da Silva Neto

Dr. Eng., Industrial, Consultor, Conselheiro, Palestrante, Professor (*) Sócio da ‘3S Consultoria Empresarial Familiar’ (especializada em Processo Decisório Colegiado, Governança, Sucessão, Compartilhamento do Conhecimento e Constituição de Conselhos Consultivos e de Família). Doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento

Curriculum Vitae: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4496236H3

Tese de Doutorado: http://btd.egc.ufsc.br/wp-content/uploads/2016/08/Em%C3%ADlio-da-Silva.pdf
Contatos: emiliodsneto@gmail.com | (47) 9 9977-9595 | www.cons