Bem lá no passado, quando se pensava em uma carreira profissional, ficavam esquecidos os cuidados com a saúde.

Nos tempos atuais, contudo, as empresas aumentaram significativamente os investimentos em programas de bem-estar e saúde e, algumas passaram a monitorar dados sobre os hábitos de vida, principalmente de seus executivos e líderes promissores.

Elas conseguem descobrir calorias ingeridas, volumes bebidos, qualidade do sono, nível de estresse e dedicação a atividades físicas. Está atenta a sinais de obesidade e propensão a diabetes e ataques cardíacos de seus colaboradores.

Ou seja, já se foi o tempo em que a saúde dos executivos e líderes em ascensão era uma questão privada, nunca do empregador.

A razão para este big brother está muito além do custo-saúde, este, face ao estresse da vida moderna, em contínuo crescimento. Está, sim, no necessário retorno de investimentos, por parte das empresas, no desenvolvimento de suas equipes.

Face a isto há, até hoje em dia, políticas de saúde organizacional baseadas em inteligência artificial, convergindo informações de diversas fontes, para direcionar melhor os investimentos

À medida que a tecnologia e o big data avançam, a ‘colcha de retalhos’ de dados de saúde vai se costurando, com informações vindo de todos os lados: de operadoras de saúde, de startups (que oferecem às empresas dados sobre a frequência de seus colaboradores a academias), de programas de bem-estar das próprias empresas e, até, de dispositivos como relógios e pulseiras inteligentes.

No futuro, deverão chegar, também, via chips implantados na pele.

Afinal, são as pessoas, principalmente, os líderes e executivos, com qualidade de vida, que fazem um negócio acontecer, ou seja, se eles não estiverem bem, a empresa não anda. Estudos mostram que um indivíduo saudável falta menos, veste mais a camisa da empresa e aumenta a sua produtividade.

As lideranças têm sido muito afetadas por essa mudança de mentalidade no ambiente corporativo, não só por sentirem na própria pele as atenções, mas, também, porque passa a fazer parte do escopo do seu dia a dia a promoção da qualidade de vida dos times subordinados.

Por exemplo, os líderes serão cada vez mais cobrados a dar bons exemplos: ficar no trabalho até altas horas pega mal; ser sedentário e comer besteira, idem, tudo isto, dada à tendência global, puxada pelas gerações Y e Z, de buscar um estilo de vida saudável. E sem o engajamento dos líderes, é difícil se criar essa cultura dentro da empresa.

Enfim, saúde e bem-estar se tornaram ferramentas de atração e retenção de talentos e, discussões éticas à parte quanto à invasão da privacidade, uma coisa é certa: a saúde já se tornou um declarado diferencial competitivo no trabalho, até mesmo, às vezes, de forma velada, com a valorização ‘subliminar’ dos profissionais com hábitos saudáveis.

Contudo, não é interessante nem ético discriminar alguém por não fazer esporte ou se alimentar mal. Mas, o fato é que companhias vêm observando, com muita atenção, esses aspectos e especialistas até admitem que já conta pontos alguém demonstrar preocupação com a qualidade de vida nas entrevistas de emprego.

Enfim, lembrando que o mundo corporativo adora traçar paralelos com o esporte, é praxe inferir que, se a pessoa tem uma alimentação regrada e faz atividade física regularmente, ela possuirá maior capacidade de planejamento, foco e resiliência.

Os talentos, por sua vez, também ficaram mais exigentes. Plano de academia gratuito, flexibilidade de horário, massagem e frutas à tarde, por exemplo, podem até contar até mais do que um salário alto, na hora da escolha por um empregador. A via, portanto, é de mão dupla.

Esta é uma boa notícia, já que a combinação entre companhias atentas e funcionários conscientes reduz os custos com saúde, melhora os resultados e favorece toda a cadeia, numa relação de ganha-ganha.

Por fim, vale lembrar Arthur Schopenhauer, filósofo alemão do século XIX: “Em geral, nove décimos da nossa felicidade baseiam-se exclusivamente na saúde. Com ela, tudo se transforma em fonte de prazer”.