Para Aristóteles, “os políticos deveriam formar, junto com os professores, a profissão mais nobre de todas”. Contudo, os eleitos vão adquirindo doses crescentes de cinismo.

A política, muitas vezes, parece algo sem sentido e lógica, já desde a denominação ‘partido político’, cuja etimologia (‘partido’ significando ‘dividido’) nada tem a ver com ‘time’, ‘clube’, ‘agremiação’, enfim, algo que configure “um grupo de pessoas empenhadas numa mesma atividade conjunta”.

Independente deste paradoxo vernacular, “partido político” é uma congregação de pessoas, que comungam a mesma ideologia, traduzida em estatuto, com um rol de políticas públicas que prometem implementar, caso cheguem ao poder.
Na verdade, todos os ‘partidos’ são, sim, ‘inteiros’ (‘únicos’) em suas promessas de “céu na terra” aos ‘iludidos’, o povo.

Mesmo enganando eleitores, eleição após eleição, os políticos ainda conseguem criticar a abstenção ao voto, cada vez mais maciça, a exemplo do Chile e Colômbia, onde o voto é facultativo.

O pior é aguentar programas políticos, montados por marketólogos especializados em ludibriação coletiva, transformando crápulas em heróis, bandidos em vítimas, ladrões em Robin Hoods e mal intencionados em missionários.

Que saudades da Lei Falcão, de 1976, medida do regime militar, que amordaçava o indefensável fundão eleitoral e limitava o horário político gratuito a fotos e currículos dos “gargantas”.

Lembrando, ainda, dos “votos de noivos”, no momento do casamento, em que prometem manterem-se juntos, na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza, até que a morte os separe, isto para os partidos políticos só vale até a chegada ao poder. Depois, é um “Deus nos acuda” !!!

Ainda, metaforicamente, com o dia a dia do povo, vale associar o funcionamento do Congresso Nacional a uma churrascada, quando alguém recusa uma linguiça, dizendo: “meu pai tem um matadouro e eu sei como são feitas”.

Mas, toda essa “barafunda” justifica-se por exemplos como: não há médicos sem diploma em medicina, nem pilotos de avião sem brevês. Então, como a política pode ser bem exercida por gente sem comprovada formação curricular e moral para o exercício de uma função pública ?

Aliás, isto já vem desde os primórdios da democracia, na Grécia antiga, onde os representantes eram escolhidos por sorteio, razão pela qual, o filósofo Platão (428-348 a.C.) menosprezava este regime de governo.

Se a política é uma arte, dizia Platão, então tem que ser feita por quem entende dela. Para ele, por gente escolhida na infância, homens e mulheres, de coragem e inteligência, e treinada em ginástica, música, matemática, dialética, artes marciais e administração.

E, para evitar as tentações do poder, esta classe receberia um salário módico, não poderia ter propriedades, jamais casar ou ter filhos.

Já para Aristóteles (384-322 a.C.), os políticos deveriam formar, junto com os professores, a profissão mais nobre de todas. Sua função seria moldar uma vida virtuosa para os habitantes de uma nação. Infelizmente, não era o caso da democracia em sua época e, por isso, também, Aristóteles não era muito fã do regime.

Muito tempo depois, o sociólogo alemão Max Weber (1864-1920), em uma palestra, em 1929, disse que “há duas maneiras de fazer a política ser uma profissão: ou se vive ‘para’ ou ‘da’ política. E as duas não são excludentes”.

Dedicar-se integralmente à política e extrair dela seu sustento tornou-se a regra do Ocidente e, como viver “para” a política sem viver “da” política, significaria restringir a atividade a pessoas de posse, a França, em 1848, instituiu os proventos legislativos. Pior, políticos tornaram-se joguetes nas mãos dos poderosos.

A ‘profissão’ de político, como toda outra, tem uma curva de aprendizado e uma subsequente, de corporativismo, com os eleitos ficando mais aptos e, conjuntamente, com doses crescentes de cinismo.

Consolativamente, vale lembrar que as alternativas à extirpação da classe política podem ser bem piores, ou seja, “dos males o menor”, como disse Winston Churchill: “a democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor que ela”.
Enfim, que o povo consiga continuar extraindo do amargo “limão” (‘má índole’ dos políticos, em geral) o essencial para uma saborosa “limonada” (‘desenvolvimento econômico e social do país). "Afinal, nunca se conseguiu abolir a política, profissão que é a segunda mais antiga do mundo, muito semelhante à primeira" (Ronald Reagan - 1911 - 2004, ex-presidente dos Estados Unidos).

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Emílio Da Silva Neto

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