Em outubro o Brasil vai às urnas escolher seus representantes por meio do voto direto e secreto, com valor igual para todos. O voto, ou sufrágio universal, em nosso país é uma herança ibérica, entre tantas, que ao longo dos tempos, tem legitimado os sistemas de governo de nossa história.

A primeira constituição brasileira outorgada por D. Pedro I, em 1824, já previa e estabelecia o sistema de escolhas de representantes por meio do voto, embora, o poder aristocrático moderador o restringisse a homens com mais de 25 anos, comprovadamente ricos, com renda anual a partir de 100 mil réis, o que equivaleria, aproximadamente, a R$ 1 milhão nos dias de hoje. Ou seja, jovens, mulheres, escravos, soldados e índios estavam distantes anos-luz desse direito.

Mas a história mostra evolução do processo, mesmo que o atual sistema de voto não seja ainda o mais perfeito e plenamente aceito por todos. Entretanto, ainda há consenso de que ele representa um poderoso recurso da democracia.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, estima-se que o Brasil terá 148 milhões de eleitores em outubro desse ano. Portanto, hoje, quase 200 anos depois, o voto no Brasil é permitido a todo cidadão maior de 16 anos, e obrigatório entre 18 e 70 anos.

E quando o tema é democratização do voto, o protagonismo do pleito 2022, caberá à participação do jovem, que no mês de março representou mais 445.553 novos eleitores entre 15 e 18 anos.

Vale destacar que se trata de uma parcela importante do eleitorado, cuja expectativa de futuro é desprovida de vícios políticos e preconceitos sociais, dotada, ademais, de nova consciência tecnológica e ambiental. Amplia-se, assim, a visão de que, como cidadãos, todos são corresponsáveis pela República e democracia.