Por Nelson Luiz Pereira_integrante do conselho editorial do OCP

O trabalho sempre será a condição primária e fundamental da subsistência humana. Entre sua origem etimológica do latim "tripalium" (instrumento de tortura), até sua contemporânea condição de sustentação e auto realização pessoal, pode-se reconhecer uma significativa evolução.

A história registra muitas explicações acerca da dimensão e conotação do "trabalho" ao longo dos tempos e das estruturas sociais. Na sociedade greco-romana, seu fundamento era a escravidão.

Na sociedade feudal, vinculava-se à servidão. Nas sociedades tribais, sua base era a cultura e unidade social. Na sociedade capitalista, caracterizada pela revolução industrial, transforma-se em mercadoria, embora Max Weber tenha o explicado, sob a ótica protestante, como sendo uma benção divina.

Já, Karl Marx, manifestou a conflitante relação capital trabalho por meio da "mais valia". Émile Durkheim propôs a divisão do trabalho como meio de solidariedade orgânica desta classe.

Frederick Taylor o teorizou racional, produtiva e cientificamente. Friedrich Hegel o condicionou como elemento de autoconstrução do homem.

Esse conjunto de concepções acerca do trabalho, buscou situa-lo conceitualmente em seus múltiplos contextos históricos, porém, ninguém mais que a atual pandemia, demonstrou a real importância do trabalho, justamente por ter provocado sua subtração.

Outro fator que tem transformado significativamente as condições e dinâmicas do trabalho, são as novas tecnologias. Entretanto, todos esses fatores conjugados, não garantem, necessariamente, sentido ao trabalho.

Isto porque, quem dará sentido a este, é, exclusivamente, quem trabalha e se identifica com o respectivo trabalho. Logo, se este não tiver sentido, será um “tripalium” (sofrimento)