Por Nelson Luiz Pereira_conselheiro editorial do OCP

 

Desde o seu descobrimento, se é que podemos assim considerar, o Brasil sempre foi um voraz arrecadador de impostos. Até hoje, nenhum governo foi capaz de suavizar a pesada e injusta carga tributária imposta à sociedade, ou, pelo menos, proporcionado melhor retorno. Pelo contrário, só tem arroxado.

Somente em 2005 é que a sociedade teve a oportunidade de se surpreender, negativamente, com o estupendo fardo que carrega nas costas. Foi quando a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) criou o Impostômetro para monitorar e conscientizar o contribuinte brasileiro sobre a descomunal carga tributária, e instiga-lo a cobrar dos governos, devido retorno em serviços públicos de qualidade.

De acordo com o Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade (IRBES) de 2020, medido pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o Brasil segue se mantendo na última posição entre os 30 países de maior carga tributária no mundo, e com o pior retorno dos valores arrecadados em prol do bem estar da sociedade. No ano passado, o brasileiro trabalhou, em média, 151 dias exclusivamente para pagar tributos.

Neste ano, até o presente momento, já pagamos 1 trilhão de reais em impostos, mais que no mesmo período de 2020. Significa que estamos trabalhando mais dias para sustentar a obesa máquina pública.

Espera-se algum alento com a Reforma Tributária que ora transita no Congresso Nacional. O que dela se vislumbra, é desoneração da força produtiva empresarial; inversão da lógica perversa de tributar mais a quem ganha menos; e, por fim, que ela possa reduzir, de fato, os índices de desigualdade social. Só então poderemos desfrutar de uma nação mais justa e forte.