Encontra-se protocolado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), o projeto de Reforma Previdenciária Estadual.

Não deveria ser surpresa para ninguém o fato de que, proporcionalmente ao número de habitantes, a máquina pública do Brasil é uma das mais onerosas do mundo.

Por outro lado, qualquer cidadão contribuinte ficará boquiaberto em saber que, do total arrecadado em impostos pelo governo do estado, 48% é destinado a pagamento de aposentadorias de servidores inativos.

É legítimo que todo trabalhador seja digno de uma justa aposentadoria. Entretanto, o atual sistema de Previdência adotado em nosso país, e que orientará o projeto catarinense, além de provocar um rombo nas contas públicas e comprometer as aposentadorias futuras, reforça, notadamente, a desigualdade entre categorias de trabalhadores.

Por isso, qualquer reforma do atual sistema, só fará sentido se priorizar a isonomia entre os direitos do trabalhador comum e do servidor público. Salienta-se que na esfera privada, não há aposentadorias precoces, aumentos automáticos de salários, estabilidade, dois meses de férias, recessos, licença prêmio, auxílios e privilégios de toda ordem.

Dados técnicos revelam que um servidor aposentado custa atualmente aos cofres públicos, 15 vezes mais do que um aposentado da iniciativa privada. Isso comprova que o custo per capita corrosivo do sistema previdenciário, não é o do trabalhador comum. E isso não é culpa do servidor profissional e trabalhador, mas do tendencioso sistema.

É aqui que deve residir a essência da Reforma. É essa desigualdade e injustiça histórica que precisam ser corrigidas. Enfim, é esse o manifesto que deve ser incorporado pela população, reverberado e defendido por meio de nossos deputados representantes. É o que a sociedade espera.