Desde a colonização, a adoção sempre esteve presente em nossa sociedade. Por isso, essa prática tem um percurso, historicamente, extenso, envolvendo conceitos, valores e crenças determinantes.

Registros históricos nos dão conta de que, a adoção apareceu em nossa legislação, pela primeira vez, em 1828. O sentido de referida prática social da época, chega a ser ridículo aos olhos de hoje.

O propósito não era o de solucionar o problema dos adotados, mas sim, dos casais que, por algum motivo, não podiam gerar filhos, maculando, assim, sua reputação junto à sociedade. O adotado era, então, um recurso de mão de obra gratuita, e inferiormente tratado no seio da família.

No entanto, com o passar do tempo, o senso de humanidade apresentou relativo desenvolvimento, e foi somente com a Constituição de 1988 que adotivos passaram a ser considerados filhos de forma e condição igualitárias.

Porém, traços da herança cultural dos velhos tempos, ainda persistem. A escolha da origem, cor, idade e saúde, ainda se mostra fator determinante na decisão pela adoção. É uma forma velada, maquiada e inconsciente de afirmação e valorização do laço sanguíneo como única condição legítima.

De acordo com o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), passa de 5 mil, o número de crianças aptas a serem adotadas atualmente no Brasil.

Lamentavelmente, esse contingente que anseia ser adotado, encontra uma infeliz barreira que poderíamos chamar de “discrepância entre humanos”. Ou seja, o perfil dos adotáveis constante do CNA, não corresponde a expectativa de perfil alimentada por quem pretende adotar.

Isso só comprova que, adoção desprovida de estereótipos, é para quem ascendeu a um patamar diferenciado de humanidade.