Por Nelson Luiz Pereira_conselheiro editorial do OCP

 

“Bom dia Bastos, tudo bem? Nossa pauta principal, com foto manchete, para a edição de amanhã, será sobre reciclagem do lixo ok? Segue briefing”. Assim era o primeiro contato diário da Redação OCP com o nosso talentoso chargista Fernando Bastos, cuja pronta resposta era: “captei... a ideia está vindo”.

Momentos depois o Comitê Editorial recebia 3 ou 4 esboços da ideia para a difícil escolha, já que todas superavam as expectativas. Bastos nos comprovou que a charge, enquanto gênero textual, tem a magia de traduzir o que as palavras não conseguem expressar.

Por vezes, sua mensagem é mais comunicativa e conclusiva do que uma extensa matéria, embora o propósito editorial seja de que ambas se complementem. Criar uma charge não é um mero ato de desenhar, mas compor uma realidade revestida com um mix de cômico e criticidade, a partir de um fato.

Para isso, além de sensibilidade e talento artístico, é necessário que o autor esteja profundamente inserido na realidade contextual, para captar de maneira perspicaz a diversidade de situações do cotidiano.

Bastos reunia essas competências e produziu, desde 2008, suas mais de 3 mil charges ao OCP, com maestria.

O artista plástico, cartunista, ilustrador e escritor, deixou uma lacuna na arte, literatura e cultura da nossa região, nesta segunda-feira (31).

Fica com suas imortais charges, a lembrança do profissional genial, e ser humano humilde, generoso, amigo e acolhedor.

A Rede OCP de Comunicação, consternada pela perda de quem ajudou a pensar o jornalismo para além do texto, expressa condolências aos familiares e amigos de Fernando Bastos.

Charge: Fernando Bastos