Na medida em que o país atua na retomada da economia, as empresas e indústrias dos mais diversos segmentos têm enfrentado um novo desafio: a escassez de matéria-prima. Pesquisas mostram que 47% das indústrias estão com dificuldades para acessar insumos, matérias-primas e mercadorias, e demonstram um estoque abaixo do nível, considerando a expectativa de vendas nos próximos meses. Mas qual é a lógica por trás desta situação?

Uma combinação de fatores demonstra que a demanda reprimida durante a pandemia refletiu em determinados produtos, gerando um descompasso entre a oferta e a demanda. Um deles é a busca pela recomposição de estoques e matérias-primas pelas indústrias, ao tempo que a produção de matérias-primas não foi totalmente reestabelecida. Além disto, a desvalorização cambial e a forte retomada da economia são outros elementos que refletem nesta questão.

Um dos setores que teve sua demanda impulsionada durante a pandemia foi o de embalagens plásticas e papelão, diante do aumento das entregas de alimentos através de delivery e do crescimento das compras no comércio online. Com o aumento expressivo da demanda, entretanto, o setor já sofre com a escassez de matéria-prima.

O ramo têxtil, que sofreu com a paralisação de grande parte de suas atividades, também vem enfrentando problemas com a falta de insumos. Com a retomada do consumo, o setor produtivo se deparou com a alta do custo do algodão, que poderá implicar nos preços dos produtos aos consumidores finais. Além disto, a falta de abastecimento de insumos advindos do mercado externo, e o impacto sofrido pelos fornecedores de matéria-prima também refletem no setor.

Na construção civil não foi diferente. O setor teve sua retomada com o aquecimento do mercado imobiliário residencial e o aumento na demanda por produtos que antes não eram tão demandados pelos clientes. A combinação entre o aumento da demanda nos últimos meses, a injeção de renda pelo governo e a mudança de perfil dos consumidores, levaram à falta de matéria-prima, tornando o processo de retomada mais lento para esse mercado.

Este cenário de incertezas faz parte do cotidiano das empresas e indústrias dos mais variados segmentos. Neste momento, a pandemia e suas consequências apenas demonstram que é preciso, cada vez mais, buscar alternativas para enfrentar os desafios que estão por vir. Contudo, uma vez adequado esse desequilíbrio, a tendência será a regularização do mercado, com o possível retorno dos preços e a normalização de escassez da matéria-prima.

Artigo elaborado pelo advogado Célio Dalcanale, inscrito na OAB/SC sob nº 9.970, graduado em Direito pela Universidade Regional de Blumenau – FURB e em Contabilidade pela Faculdade de Ciências Administrativas de Joinville. Pós-Graduado em Direito Processual Civil, Direito Empresarial e com MBA em Direito Tributário. Sócio da Mattos, Mayer, Dalcanale & Advogados Associados. Atua nas áreas de Direito Empresarial, Direito Societário e Direito Tributário. Expert em planejamento sucessório, tributário e patrimonial de bens de sócios e diretores de empresas.