Recentemente o Banco Central revisou a projeção de crescimento do PIB para 3,6%, mas o presidente do Banco Central estima que pode chegar a 4%, e, até superar esse índice. A razão vai além de olhares otimistas para a economia nacional, os números revelam altos índices em diversos setores que trouxeram melhora no nosso cenário atual.

O investimento na nova rodada do benefício emergencial criado pelo Governo Federal, como medida de reduzir o corte de empregos, está sendo pago com crédito extraordinário e por isso não afeta o teto de gastos, o que abre espaço para novos investimentos em setores da Tecnologia, Desenvolvimento e Saúde. Além disso, a referida rubrica tem surtido efeito com a economia do seguro desemprego, haja vista a manutenção dos postos de trabalho, e a gradativa recuperação na ocupação de empregos.

Segundo dados do PNAD, nos setores da Indústria, Comércio e Serviços o número de empregos para as vagas destinadas aos trabalhadores que completaram ensino médio ou superior já se recuperou atingido os mesmos níveis anteriores a pandemia. O mesmo levantamento apontou que as vagas destinadas aos trabalhadores com menos escolaridade, aqueles que estudaram até o ensino fundamental, ainda não foram totalmente recuperados, mas em ambos os setores o crescimento é constante desde o 3º trimestre de 2020.

Dentre os fatores que contribuem para a reação da economia frente a pandemia, o fundamental é o avanço da vacinação contra a covid-19. O setor de serviços cresceu 2,8% no primeiro trimestre de 2021 em relação ao trimestre anterior (com ajuste sazonal), e já espera uma aceleração ainda maior para este ano, apesar de ser um dos segmentos mais impactados em razão das medidas restritivas de deslocamento e de isolamento social.

Em relação à produção agrícola também é esperado um novo recorde, principalmente na safra de grãos, com estimativa de alta de 4,1% em relação à safra do ano passado. Esse desempenho representa um aumento de 10,3 milhões de toneladas, com destaque para aumento da safra de soja e de trigo.

Economistas afirmam que o bom momento da agropecuária favorecerá a região sul e centro-oeste do Brasil, beneficiando a renda e o consumo local, cuja projeção de crescimento do PIB regional pode ficar até 0,5% maior do que a média nacional.

O cenário internacional favoreceu principalmente a exportação de commodities agrícolas e metálicas. Os 50 maiores municípios exportadores já sentiram os reflexos do crescimento apresentando superávit acumulado de R$ 31,6 bilhões de janeiro a abril deste ano, enquanto que no mesmo período do ano passado a soma foi de R$ 22,6 bilhões.

A despeito da projeção de crescimento realizada pelo Ministério da Economia, os principais bancos mundiais apresentaram projeções em patamares superiores. O Banco BTG elevou sua projeção de crescimento do PIB Brasileiro neste ano de 3,5% para 4,3%; UBS BB de 3%, para 4,5%; Barcalys (Inglaterra) elevou de 3,2% para 4,3%; Credit Suisse (Suíça) de 3,6% para 4%; Goldman Sachs (EUA) de 4,1% para 4,5%; JPMorgan (EUA) de 2,9% para 4,1% e BNP Paribas (França) elevou de 3,2% para 4,5%.

É certo que essas projeções ainda serão revisadas e elevadas, pois a arrecadação federal atingiu, somente em abril, R$ 158,22 bilhões, um aumento real de 45,22% em relação ao mesmo período de 2020. Foi melhor desempenho da série histórica da Receita Federal desde 1995, resultando arrecadação entre janeiro e abril o total de R$ 602,772 bilhões, um verdadeiro recorde.

A realidade é clara, a economia está reagindo aos efeitos negativos da pandemia e as pessoas são os principais atores dessa mudança positiva. A coragem em inovar nos negócios, o enfrentamento às novas dificuldades e desafios estão revelando o potencial do mercado brasileiro, cuja aspiração atinge o cenário internacional.

Há ainda importantes reformas que vão alavancar ainda mais o nosso crescimento, como a reforma administrativa e a reforma tributária prometendo simplificar nosso sistema de arrecadação. Não podemos parar, o futuro de sucesso só depende de nós, o presente já nos demonstrou que estamos no caminho certo, basta acelerarmos.

Artigo elaborado pelo advogado Paulo Luiz da Silva Mattos, advogado pós-graduado em Direito Empresarial e Direito do Trabalho. MBA em Direito e Negócios Internacionais. Sócio Fundador do escritório Mattos, Mayer, Dalcanale & Advogados Associados.