Que o mundo está em constante evolução e cada vez mais rápido, nem precisamos falar. Mas muitas empresas continuam operando e se desenvolvendo como no início de sua história, sem sair da zona de conforto dos executivos e diretores, seja por receio quanto a investimentos e riscos, seja porque estão acostumados a situações previsíveis e planejamento a longo prazo, menos voláteis.

Hoje, estamos geoconectados, portanto, as informações chegam de forma rápida e isso influencia a economia, a tecnologia, a inovação, trazendo muitas consequências para as empresas. Tais consequências podem ser favoráveis, propiciando o alcance de novos patamares e novas oportunidades de negócios, bem como podem ser consequências fatais para as empresas que não encontrarem soluções de forma rápida.

Uma forma muito prática de se preparar para essas situações é implementar a Governança Corporativa, que independe do porte ou características da empresa. Este é um mecanismo que auxilia na profissionalização da empresa, em especial para as empresas familiares, pois gera credibilidade aos investidores e parceiros por promover uma gestão profissional com regras de gerenciamento, monitoramento, fiscalização, controle e incentivo à inovação.

Um dos passos iniciais e mais importante na Governança Corporativa é implementar um Conselho, órgão colegiado para tomada de decisões, que pode iniciar com um Conselho Consultivo e, por vezes, alguns comitês de assessoramento, como jurídico, tributário e de gestão de risco.

O Conselho Consultivo tem a responsabilidade de entender a empresa desde a sua história até o planejamento sucessório, visando a sua perenidade. Por meio do Conselho Consultivo é possível vislumbrar caminhos para a prosperidade e sucesso da empresa a médio e longo prazo. Vale pontuar que o Conselho Consultivo não possui autoridade legal sobre o negócio, mas sim é responsável por propor metas vinculadas à cultura organizacional, visando promover e exteriorizar os valores e objetivos dos fundadores e sucessores.

Para ter sucesso na implementação da Governança Corporativa é necessário que o Conselho Consultivo tenha pautas bem elaboradas e planejadas previamente. Atualmente, uma pauta muito abordada é o ESG - Environmental, Social and Governance, que traduzido para o português significa Ambiental, Social e Governança, aliado aos temas de transformação digital, metaverso e segurança da informação.

Portanto, as empresas precisam estar atentas e debater assuntos como regulamentações relativas a mudanças climáticas e sustentabilidade corporativa, tecnologias que auxiliam não apenas na inovação, mas também na redução de lixos e resíduos, bem como nos impactos decorrentes de produção e logística de entrega de mostruários, além do posterior descarte destes.

Pensando neste cenário, a inovação tecnológica e a diversidade são estratégias que conciliam os objetivos ambientais e sociais, além de serem mais atrativas e, normalmente, reduzirem os custos de produção posteriormente. O grande diferencial do Conselho Consultivo está em analisar as tendências do mercado, o progresso da empresa, a reputação do negócio, os riscos incidentes e, principalmente, o apetite ao risco pelos diretores e investidores.

Por meio de um Conselho Consultivo atento e perspicaz, a Governança Corporativa traz resultados imensuráveis às empresas, geram credibilidade aos investidores, aproximam os clientes e agregam valor aos parceiros envolvidos. Portanto, a Governança Corporativa nada mais é que uma jornada de amadurecimento da empresa buscando reforçar sua história e os propósitos dos fundadores, bem como construir um futuro visando a longevidade e sustentabilidade do negócio.

Texto elaborado pela advogada Amanda Cristina de Rezendes, inscrita na OAB/SC sob o n.º 54.215, graduada em Direito pela Universidade Regional de Joinville – UNIVILLE e atuante na área de Direito Empresarial, Societário e Internacional na MMD & Advogados Associados