Eu nasci, você nasceu. Há milênios, serem humanos chegam ao planeta e se vão. Mas quantos deles morrem e ressuscitam? Do que temos notícia até então, apenas um. E é dEle que quero falar hoje.

Nós da Católica de Santa Catarina, que temos os valores cristãos enraizados no nosso DNA, estamos unidos com a comunidade neste tempo especial de reflexão que vivemos. Em 28 de março, celebramos o Domingo de Ramos, um memorial da entrada de Jesus Cristo em Jerusalém. O homem que dividiu a cronologia da humanidade em antes dEle e depois dEle cumpriu em si as profecias ao chegar na cidade montado em um jumentinho. Um ato simbólico e poderoso de humildade, uma característica que precisamos cultivar diariamente.

Na segunda-feira santa, relembramos que o nosso Salvador adotou um posicionamento firme para defender o uso correto do templo. Ele nunca abriu mão da justiça, ao que preço que custasse. É dia também de, assim como aconteceu com os apóstolos, perceber que a fé é capaz de secar figueiras.

Já a quarta-feira santa é um aviso para que nunca nos esqueçamos de fazer escolhas de forma sábia. Há dois milênios, um dos discípulos escolheu priorizar a riqueza material e entregou o messias aos chefes dos sacerdotes por 30 moedas de prata, que, em vão, tentou depois devolver, não conseguiu, e decidiu tirar a própria vida.

Para a quinta-feira santa, relembramos mais um admirável ato de Cristo. Até mesmo o seu traidor participou de uma ceia entre os apóstolos, um exemplo de que todos são acolhidos. A refeição era um anúncio do sacrifício que estava por acontecer. A entrega da vida daquele que nunca pecou pela possibilidade de todos os homens aceitarem a vida eterna, o maior ato de amor incondicional já praticado.

Na sexta-feira santa, refletimos, com pesar, sobre tudo que Ele passou. Foi preso e amarrado pelos líderes judeus. Abandonado por todos, mesmo aqueles que juraram fidelidade, como Pedro, que também o negou três vezes. Em silêncio, teve de ouvir acusações falsas, inclusive de ter blasfemado. Cuspiram em seu rosto, levou bofetadas. Recebeu a condenação confirmada por parte da mesma população, a quem antes pregou, encorajou e curou.

Teve as roupas arrancadas. Foi alvo de zombaria e de mais agressões e insultos. Mas nenhuma dor foi páreo para que estava por vir. Ao meio-dia, sentiu a maior angústia de todas e, aos gritos, entregou o seu espírito. Cortinas se rasgaram, a terra estremeceu e um grande temor tomou conta de todos, pois algo que mudaria definitivamente a história da humanidade tinha acabado de acontecer.

Se você fosse um dos seguidores de Cristo daqueles tempos, como se sentiria? Se é dolorido pensar em tudo que ele passou do nosso ponto de vista, mais de dois milênios depois, imagine como se sentiam aqueles que caminhavam como ele? Aos olhos naturais, parecia o fim. Algo muito triste estava acontecendo. O que esperar de bom do dia seguinte em meio a tanta incerteza? Isso soa familiar para você?

Realmente só quem tem uma pedra no lugar do coração não se sentiu ultimamente, ao mesmo uma vez, um pouco como os discípulos. A finitude tem esse poder. Desde março do ano passado, somos constantemente lembrados da nossa mortalidade, da mortalidade dos que amamos.

Foram meses difíceis, despedidas que ninguém esperava enfrentar. O nosso consolo é saber que a dor não é eterna. A incerteza também não. Temos uma certeza gravada em nosso íntimo, que supera todas as dúvidas: no domingo, Ele ressuscitou. E, com todo o sacrifício que Ele passou, deixou aberta uma porta para que possamos também tocar a eternidade.

Que possamos, no conforto e segurança dos nossos lares, viver com nossas famílias esse sentido da Páscoa: de amor incondicional, de esperança e de fé. Que Ele possa renascer diariamente em nossos corações, juntamente com duas convicções que precisamos manter inabaláveis: que Ele cuida de nós e que tudo vai passar.