Páscoa significa passagem. Mudança de um estado próprio para outro. Uma transição assistida para algo que, convencionalmente, seja melhor. É disso que se trata a passagem preconizada pela tradição católica e que remonta ao povo hebreu em saída do nefasto período de escravidão passado em terras egípcias. A fatídica travessia do mar Vermelho ilustra à perfeição aquilo que se quer dizer por “passagem”, portanto, Páscoa. Antes, uma vida de escravidão, depois, uma vida de libertação em um caminho que levaria à “terra prometida”.

Atualmente o mundo é levado a dar atualizado significado ao verbete Páscoa e olhá-lo, necessariamente, sob o enfoque da pandemia. Jesus é o clarim que elucida a grande passagem de nossa vida, que ilumina o trajeto pelo qual parece sentirmos sempre mais dificuldade em trafegar. É Ele quem dá elementos de coragem e sustentação ainda apesar da comorbidade a que somos imputados pela praga pandêmica.

Esse período nos leva a reconsiderar as opções que fazemos, os caminhos que tomamos, a forma como nos comportamos. Fica evidente o abismo que há entre aquele ideal cristão aprendido desde sempre e o modo como temos nos portado frente a ele, o ideário que vamos descontruindo sempre que damos lugar àquilo que parece ser mais atraente e mais prazeroso no mais curto prazo. Parece que, agora mais que nunca, o chamado do Cristo por olharmos as necessidades dos mais pequenos e desfavorecidos, por pensarmos mais no bem coletivo que nos interesses individuais, por mudarmos a forma como concebemos a ideia de mundo, é o latente imperativo que nos levará a uma vida mais humana, ética e solidária.

Porquanto, Jesus nos aponta e conclama a uma verdadeira conversão de sentidos, de posturas, uma grande Páscoa em nossas escolhas, em nossa vida. Ele, “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14,6) continua chamando a cada um pelo nome, tomando a cada um pela mão e convidando a caminhar lado a lado com a sua proposta de verdadeira libertação e acolhimento. Mesmo que pareça estar nos conduzindo pelo “deserto da vida”, é ali que nos “fala ao coração” (Os 2,14).

Com Maria, nossa Boa Mãe e Marcelino Champagnat nosso Pai Fundador, vivamos uma Santa e Abençoada Páscoa da Ressurreição em família. Que nossa passagem nos leve a situações melhores, de saúde, união e bem-aventuranças.

Ir. Ronaldo Luzzi, Diretor Geral do Colégio Marista São Luís, Teólogo, Mariólogo, Especialista em Gestão Escolar e de Pessoas.