Estamos em maio, mês dedicado com especial carinho por nós, cristãos católicos, a Maria de Nazaré, mãe de Jesus, Nossa Senhora. Neste mês, celebramos o sim de Maria, que fez com que a história da Salvação pudesse chegar ao seu auge: a encarnação do Verbo, Nosso Senhor Jesus Cristo (Cf. Gl 4,4).

Maria nasce e cresce dentro da cultura judaica do final da história do Antigo Testamento. Poderíamos elencar as inúmeras dificuldades familiares e sociais enfrentadas por uma jovem menina naquela época, mas queremos ressaltar aqui a coragem em dar o seu sim (Cf. Lc 1, 26-38) e a vontade de mudar a história da humanidade e apressar a vinda do Reino de Deus.

Ela dá o seu sim a Deus, e simplesmente confia. Vive os mistérios diários que este sim lhe apresenta (Cf. Lc 2 1-19), mistérios que a fazem louvar a Deus e, também, se questionar: qual seria o propósito das situações difíceis? Maria guardou tudo isso em seu coração (Cf. Lc 2,19.50), até compreender tudo no mistério insondável da ressurreição.

Não sabemos quão sapeca foi Jesus quando criança, quanta bagunça fez, quantas vezes ficou adoentado ou veio a se machucar nas travessuras de criança. Também não temos muitos relatos de seus atos de rebeldia quando adolescente (Cf. Lc 2, 41-52), de quantas amizades fez, mas sabemos que Maria esteve com Ele, ensinando-lhe e auxiliando-lhe como a boa mãe que foi (Lc 2, 51s).

Muitas angústias vieram quando Jesus se tornou um homem adulto e começou a se lançar pelas terras da Palestina, a enfrentar os poderosos, andar com as pessoas excluídas, operar milagres e falar de Deus. Aí sim, Maria começou a sentir que algo não tão bom se estava reservado para Jesus (Cf. Mc 12, 46-50). Sabia que ele era Deus, mas, como mãe, não queria vê-lo sofrer.

O fato é que Jesus sofreu, incompreendido, torturado e morto pelo poder político e religioso da época. Suspenso em uma cruz, foi abandonado pelos amigos, mas nunca por sua mãe, que permaneceu em pé (Cf Jo 19, 25), firme como rocha, aguentando com ele seus últimos suspiros.

Foi Maria que reuniu em torno de si os discípulos e apóstolos. Juntos, em Jerusalém, recebem o Espírito Santo (Cf. At 1,1 4; 2, 1-4), vencem todos os seus medos e revestem-se de coragem para anunciar Jesus Cristo ressuscitado. É por tudo isso que Jesus quis tê-la no céu e levou-a, de corpo e alma, para a glória celeste (Cf. Ap 12, 1-5)

Mas, o que tudo isso tem a ver comigo, com você? A resposta é simples: a vida levada no dia a dia. São os fatos, momentos e oportunidades que, bem vividos, vividos com intensidade em prol da nossa fé em Cristo, nos levam àsantidade e nos garantem o céu (Cf. Lc 1, 39-56). Maria não fez nada de extraordinário, de mirabolante, somente disse: Sim, faça-se em mim segundo a Tua palavra.

Eis a nossa missão; a exemplo de Maria, viver o que a vida nos oferece, abraçando todas as oportunidades mesmo que na incompreensão. Viver alegrias e tristezas, pelos que amamos e que devemos amar, e, sobretudo, pela fé em Jesus Cristo.

Irmão Alison Furlan, FMS (Fratres Maristae a Scholis)

Formador do Aspirantado Marista de Jaraguá do Sul