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Em que momentos seu filho brinca ao ar livre? Tenho certeza de que você, quando era criança, já brincou em pequenos riachos ou de pique-esconde com seus primos e amigos. Mas você sabe ou reconhece os benefícios de brincar ao ar livre? Um levantamento feito pelo programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, aponta que durante 90% do dia, as crianças no Brasil permanecem em lugares fechados e só 40% delas brincam uma hora por dia ao ar livre.

A criança é, em seu ímpeto, um ser aberto à vida, ao aprendizado e ao querer fazer. Conduzi-la por um mundo de possibilidades ao ar livre reforça o quão incrível pode ser a vida e o aprendizado dessa criança e faz com que as que suas escolhas sejam pautadas por um caminho seguro, que ela mesma foi capaz de traçar.

Aqui na Educação Infantil do Colégio Marista São Luís, os momentos ao ar livre são mediadores de conhecimento, pois nem sempre necessitamos da mediação dos adultos para que o conhecimento ocorra. Por vezes, o espaço por si só é um mediador e provocador de todo o processo de ensino e aprendizagem. O contato com a natureza é extremamente produtivo, pacificador e restaurador; é um atestado de saúde, que traz benefícios a curto e a longo prazo. Os momentos de “ócio” são extremamente necessários, pois é nesses momentos que o estudante pode perceber, criar, explorar, investigar e tornar-se parte de um todo onde eu sou o outro e o outro também se torna parte de quem sou.

Necessitamos de mais sol, lua, flores, folhas, terra, água, pedras e menos paredes, carteiras e cadeiras. Nossas crianças precisam de mais momentos ao ar livre, movendo-se e sendo elas mesmas em sua mais primitiva essência: criando e levantando hipóteses, para que na sala de aula seu processo de aprendizado ocorra de maneira orgânica e fluida.

Brincar ao ar livre estimula a concentração, a calma, a imaginação, o raciocínio lógico, a leitura de mundo e o pensamento crítico. Para desenvolvermos uma mente segura de si e de seus valores, esse pensamento precisa passar pela liberdade criativa na qual o resultado dependa apenas, porém grandiosamente, de sua própria ação.

Franciele Fiut Tomasi é professora do colégio Marista São Luís. É formada em Licenciatura em Pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia com ênfase em Neurociência