Será que durante a prática da corrida estamos de fato, colocando em “risco”, a nossa coluna vertebral? Para responder esta questão é importante analisarmos que o nosso corpo passa por alterações naturais, como por exemplo, a desidratação e o envelhecimento da pele; e que esse processo também ocorre nas estruturas da coluna, não sendo indicativo de que irão aparecer problemas graves e dores insuportáveis. Outro ponto importante é que não somente com a idade mais avançada é que alterações estruturais estarão presentes.

Como forma de ilustrar, quero destacar que as protrusões discais, por exemplo, estão presentes em 30% da população com média de 20 anos de idade, 60% com média de 50 anos de idade e 84% com média de 80 anos. E tanto a hérnia de disco, quanto as protrusões discais costumam estar presentes em exames de imagem, gerando um diagnóstico superficial e, às vezes, até mesmo equivocado. Diante desse cenário, tenho visto muitos atletas deixarem a corrida de lado depois de terem recebido um diagnóstico de hérnia de disco, apenas com exames de imagem. Então, quero tranquilizá-los dizendo que podem continuar com a atividade física normalmente. Isso mesmo.

Durante a corrida não colocamos os discos vertebrais e a coluna em risco! Em 2017, um estudo muito importante foi publicado pela revista Nature, demonstrando a incrível capacidade de adaptação à carga dos nossos discos intervertebrais. O estudo demonstrou que a carga axial repetitiva na coluna durante a corrida em indivíduos saudáveis pode ser benéfica para os discos intervertebrais.

Neste caso, os discos intervertebrais lombares de indivíduos que correm apresentaram-se mais hipertrofiados em comparação a indivíduos sedentários. Também foi demonstrado que a caminhada ou corrida leve, a uma média de 7km/h, seria uma zona ideal de impacto; e também que indivíduos que correm 20km e 50km semanais apresentam melhores propriedades no disco intervertebral. Portanto, a corrida não atrapalhará a saúde do disco.

O impacto é importante. Por isso, sugiro sempre uma progressão gradual no treino para que ocorram as adaptações necessárias e não apareçam os sintomas relacionados às hérnias de disco. A dica então é ficar atento aos sinais do corpo e evitar ao máximo limitar os movimentos do tronco devido à hérnia de disco.