Em entrevista ao OCP esta semana, o prefeito de Jaraguá Antídio Lunelli (MDB), falou sobre seu interesse em ser o candidato ao governo do Estado em 2022 pelo seu partido e do andamento das prévias que vão definir o concorrente da sigla.

O MDB conta com mais dois nomes nesta disputa interna: o do deputado federal Celso Maldaner e do senador Dário Berger.

Lunelli já percorreu grande parte do Estado para falar com lideranças do partido e expor seus projetos e planos, e neste fim de semana, ele está no Oeste do Estado.

O modelo de gestão implantada na Prefeitura jaraguaense por Lunelli, e que serve de exemplo para SC e o Brasil, são um dos trunfos que o prefeito-empresário tem a seu favor para concorrer a governador. Confira a entrevista:

O fato do senhor ter sido o primeiro prefeito reeleito na história de Jaraguá do Sul, tendo uma excelente aceitação da população nas urnas, e consequentemente de sua gestão, foi uma de suas motivações para querer disputar o governo do Estado?

Vim para a vida pública exatamente por não me conformar com tudo que está acontecendo na política nas últimas duas décadas. Venho de uma família muito humilde, de agricultores, sou empresário e a nossa empresa em outubro completará 40 anos. E a minha contribuição com o município foi participando das eleições municipais procurando levar gestão para dentro do setor público.

Passei por todos os perrengues que passa um colono, um funcionário, um empreendedor e agora sei também como funciona o setor público. Esse inclusive, precisa de muitas reformas para se ajustar à realidade que vivemos hoje. O setor público é muito burocrático, demorado, oneroso, pesado e no fim entrega muito pouco para população.

Eu sou um eterno inconformado com isso, sou de uma família muito simples, mas tive a oportunidade de conhecer do Canadá ao Extremo Oriente. Conheci países muito melhores que o Brasil e outros muito piores. E sempre me espelhei nos bons exemplos. Bons exemplos de países, de gestão e de empresas. Acabei aceitando concorrer às eleições em Jaraguá [em 2016] e ganhei [se reelegeu em 2020]. Cheguei num momento bastante difícil, muito mesmo e procurei implantar um trabalho simples que aprendemos fazer ali fora. Tem gente que acha que é complicado, mas não é.

A realidade para quem quer administrar é simples. Agora, precisamos ter pessoas sérias por trás disso, precisamos de gente do bem na nossa política. E assim não precisamos ter tanta burocracia, tantas leis anticorrupção e que no fim se provou que também não é o caminho, se não a gente não via um escândalo por dia. Minha contribuição é fazer melhor e tenho a certeza de que podemos fazer muito, mas para isso precisamos de apoio de pessoas do bem e que venham junto conosco.

Inclusive esta conversa de eu ser pré-candidato a candidato ao governo do Estado, nasceu lá em Florianópolis. Nunca tinha passado pela minha cabeça antes, nem ser prefeito de Jaraguá do Sul, mas acabei sendo, dei minha contribuição. Tem muito para ser feito, mas acredito que o trabalho que estamos fazendo já tem um direcionamento e deve continuar. O dia que eu não estiver mais na prefeitura, sei que deve permanecer esse trabalho pelo bem de Jaraguá.

E sobre ir para o governo do Estado, acabou tendo aquela conversa que senti que iriam vir aqueles pacotes prontos, em que os grandes partidos sentam se se acertam e cabe a nós fazer aquele papel de formiga carregadeira. Um dia eu disse: Peraí, pode me colocar ali no meio. Então hoje a gente está aqui e pode ser que dê certo e se der certo, vamos enfrentar, estamos aí pra isso.

Como está internamente o apoio para sua pré-candidatura junto de seu partido, já que tem mais dois no páreo? E as prévias que aconteceriam agora em agosto e foram adiadas?

O nosso partido já diz o nome, é Movimento Democrático Brasileiro, e deve preservar a democracia. No MDB temos três pré-candidatos, eu sou um deles, o outro é o presidente do partido e deputado Celso Maldaner e o senador Dário Berger. Nós três estamos disputando a vaga de pré-candidato ao governo do Estado, porque ficou decidido que todos os filiados votariam para a escolha do candidato.

Com o andar da carruagem, a prévia interna era para acontecer no dia 15 de agosto, e por causa da pandemia deram um “jeitinho” de levar ela para frente. Mas isso vai ser discutido numa reunião no dia 23 de agosto, porque alguns ali não querem mais que todos os filiados votem, somente os diretórios. Deve ter alguém que está sentido que não vai ganhar, ou sei lá, pra mim tudo dez.

Agora o trabalho que temos feito atualmente é visitar as 36 regionais que o MDB tem em SC e inclusive esta semana é a última rodada e será na região de Chapecó. Estamos indo, os três pré-candidatos, para falar para o partido, e no dia 23 [de agosto] será decidido se teremos as prévias no dia 15 de novembro. Mas tem alguns que estão defendendo para até 15 de março de 2022.

Isso acontece porque a maior bancada [na Alesc] é do MDB e após o afastamento do governador [com o pedido de impeachment] ela apoia na governabilidade e vota tudo aquilo que é importante para o governo. Mas está muito claro que o partido terá um candidato para o governo do Estado de SC. Então para os que participam do governo, seria melhor ir até março para a escolha do nosso candidato. Eu gostaria que fosse resolvido este ano, porque dependendo do candidato, ele vai ter que negociar, acertar, ter tempo hábil para apresentar o seu projeto. Então vamos esperar as cenas dos próximos capítulos.

Da minha parte, estou muito tranquilo, até porque eu nunca dependi de política e nem de cargo público, absolutamente. Estou fazendo um trabalho de contribuição para com o meu município e se eu tiver a oportunidade também farei para com o meu Estado.

Caso seja candidato e se eleito, quais medidas adotadas na Prefeitura de Jaraguá do Sul, o senhor pensa que podem ser levadas para o governo do Estado?

Quero levar exatamente o trabalho que realizamos em Jaraguá do Sul, só que a nível de Estado. É o trabalho de transparência, de seriedade, da população ficar sabendo realmente os bastidores da gestão do Estado de SC.

É o que temos hoje no município de Jaraguá, qualquer cidadão que quiser, sabe tudo como funciona a prefeitura. E a mesma coisa seria para o Estado, que eventualmente existem exageros e desconformidades. Temos que ter menos Florianópolis e mais entrega, mais ação, ou seja, levar o governo para o interior.

A realidade da grande Florianópolis é diferente do Médio e Alto Vale do Itajaí, ou do Oeste ou do Extremo Oeste, assim como é diferente do Sul e do Norte do Estado. Então podemos interiorizar o governo dentro das suas demandas e realidades e fazer um governo mais eficiente e próximo dos seus municípios

Eu tenho uma visão diferente, muito prática, muito simples e objetiva. Tenho certeza absoluta que podemos fazer muito mais e melhor, mas tudo baseado na gestão, transparência e honestidade, fazendo gestão para o futuro e não olhando para o umbigo como a maioria faz. Fazem uma administração para 4 anos ou então extremamente política, temos de pensar no futuro de SC como vai ser, o futuro do servidor. Se não daqui a pouco, a iniciativa privada não vai dar mais conta de carregar a pública nas costas. Resumindo: faz-se política em nosso país criando-se dificuldades para se vender facilidades. Vamos parar com isso.

Tenho uma visão mais empresarial, uma visão mesclada entre o público e privado, entre o empresário e o político. Porque quando eu escutei de um grande nome da nossa política catarinense dizendo que: “Empresário tem que ser empresário e político tem que ser político” eu achei isso uma verdadeira aberração. Porque pra mim o melhor candidato que existe é aquele que esteve dos dois lados da mesa. Aquele que sabe o que é trabalhar, lutar, empreender, o que é pagar imposto e o outro cara que está do outro lado que tem que fazer gestão, administrar, fazer com que o dinheiro público não seja desviado e fazer a devida entrega para a saúde, educação, segurança, que são os princípios básicos do setor público.

Aliás, o que o setor público deveria se preocupar é com a educação, saúde e segurança, o resto deveria ser entregue para a iniciativa privada para quem sabe, fazer melhor. Agora a população tem que acreditar e comprar este nosso projeto de mudança.

O que sabemos fazer é trabalhar, trabalhar com afinco e com responsabilidade e fazer aquilo que tanto Jaraguá do Sul, o nosso Estado de SC assim como o Brasil precisam. Vou trabalhar incansavelmente para vivermos um País muito melhor do que estamos vivendo hoje.

E quando eu falo aqui do setor público não é nada contra o público ou contra os servidores, absolutamente... nós precisamos das pessoas e são elas que fazem a diferença. Mas precisamos mudar o sistema, esse sistema criado nas últimas décadas, ele é muito perverso e precisamos ajustar e atualizar com a realidade que vivemos hoje e com a demandas do século 21 e da nossa população.