As mulheres seguem sendo minoria na política. No âmbito das Assembleias Legislativas, o Estado de Minas Gerais é o que comporta o maior número de cadeiras ocupadas por mulheres. São 15 deputadas dos 77 integrantes, equivalendo a 19,5%. Enquanto isso, no estado de Santa Catarina, elas representam pífios 7,5%, ou 3 cadeiras, do total de 44.

Há quem considere ter havido uma renovação de 40% na Alesc. No entanto, os números apontam renovação de nomes, tão somente. Não se verifica, em essência, renovação na patriarcal política catarinense.

As mulheres seguem sendo vítimas das diferenças culturais historicamente construídas pelos homens. Pesquisas provam isso quando apontam que entre as ‘melhores coisas’ de ser mulher, a possibilidade de concepção aparece em primeiro lugar. Já, entre as ‘piores coisas,’ destaca-se a subordinação aos homens.

Essa retrógrada ficção segue sendo resistente, se manifestando em muitos espaços da sociedade, sendo um deles, a representatividade feminina na política. Esse paradoxo de elas serem maioria do eleitorado mas minoria em representatividade, precisa ser desconstruído. E isso só será possível de se fazer, renovando-se a concepção sobre política.

O argumento raso de que mulher não vota em mulher já não se sustenta. De qualquer forma, embora elas tenham avançado em alguns direitos, o abismo da desigualdade ainda é considerável.

A despeito de elas serem comprovadamente mais escolarizadas que os homens, representarem praticamente a metade da população economicamente ativa, serem mais produtivas, possuírem mais sensibilidade e habilidade em liderança, sua representatividade continua sendo irrisória e sua remuneração média se situa em 30% inferior à dos homens.

A renovação que se vislumbra, então, é a correção dessa lógica política e socialmente equivocada.