Enfim chegou a vacina contra o COVID 19! Este foi o grande dia para todos nós que estávamos ansiosamente esperando. Trouxe de volta algo que desejávamos, mas, além disso, que precisávamos. Um pouco de esperança, o suspiro de alívio em mais um passo dado, o momento de paz em tempos tão difíceis que estamos vivendo, de tanta dor e que tem exigido muito de todos nós.

Finalmente, temos a vacina, e podemos presenciar as pessoas recebendo a primeira dose. Seria tudo lindo, se não fosse à nova campanha lançada, praticamente implorando para que as pessoas tomem a segunda dose.

A única forma de completar a proteção e ter a eficácia prometida da vacina é realizando as duas doses. Não sei bem ao certo se essa sobra da segunda dose da vacina é porque a memoria falha, ou porque a certeza de estar imune com a primeira dose prevalece. O que sei, é que, onde não existem certezas, nem no que a doença pode causar em você, nem o que a vacina pode realmente te proteger, não tomar a segunda dose é jogar fora a chance de diminuirmos a pandemia, de nos proteger e de proteger o próximo.

Sem esquecer-se dos profissionais que estão na linha de frente, enfrentando diariamente os limites físicos e emocionais para conseguir atender cada pessoa, cada família fragilizada pela doença. Não tomar a segunda dose é também um descaso com a saúde pública, um descaso com as pessoas que estão na fila de espera e o descaso com o auto cuidado.

Não é possível que depois de tudo que passamos e ainda estamos passando, mais de 365 dias, aconteça o que está acontecendo. O que mais precisamos enfrentar para que a auto responsabilidade seja colocada em ação?

Quando abriu a vacinação para os profissionais da saúde, eu não consegui me vacinar naquele momento. Acabou muito rápido e esperei minha vez, por idade, para poder me vacinar. Isso aconteceu por diversos fatores, onde os bons sempre pagam pelos “espertos”, mas o assunto não é esse no momento.

Eu tomei e tive todas as reações que a vacina AstraZeneca poderia me oferecer, mas mesmo assim, aguardo, ansiosamente, com o coração cheio de esperança a data da minha segunda dose. E nessa minha espera vejo a 2ª dose sobrando. É revoltante!

Esse tipo de atitude me lembra daquela pessoa que chega até a mim desesperada de dor, não aguentando mais tanto sofrimento e com muito medo de ter que passar por uma cirurgia. Chega disposta a tudo, se mostra aberta e sem restrição alguma ao tratamento. É a pessoa mais dedicada, comprometida e empenhada. Basta melhorar, se sentir melhor, segura, todo o ímpeto inicial de se cuidar, some e desaparece sem me dar um Adeus, acreditando que já é o suficiente.

Eu poderia fazer várias analogias, comparações, escrever linhas e mais linhas sobre SERMOS os únicos responsáveis por nós mesmos e pelas nossas escolhas. Parece clichê, mas você e todos os demais envolvidos sofrem as consequências das péssimas escolhas feitas por você. Causa e efeito... Mas não vou. Apenas deixo uma pergunta em aberto. Qual seria o remédio para a falta de ação?