De repente você sentiu uma dor na coluna, mas passou. Meses após, um novo sinal e novamente a dor sumiu. E assim sua vida seguiu, com algumas dores, mas sem preocupação.

E agora a sua coluna está doendo com frequência, dores que te incomodam e não aliviam. Você sabe o que aconteceu com o seu corpo? Nossa coluna é um eixo de ligação complexa e importante entre as escápulas e a pelve.

Quando estamos parados, a coluna é simétrica e perpendicular a essas duas estruturas. Os ligamentos e músculos funcionam para manter o equilíbrio diante do movimento oscilatório do tronco quando estamos em pé. Em qualquer movimento que ocorre entre este eixo, o corpo gera uma regulação automática dos músculos estabilizando o tronco para se movimentar com eficiência.

Mas se os músculos não puderem relaxar após a contração exercida para o reequilíbrio ou quando ocorre qualquer encurtamento, surge fraqueza muscular e alterações posturais significativas, adoecendo o corpo.

Quando os primeiros sinais de desconforto aparecem, nosso organismo é inteligente o suficiente para gerar mecanismos compensatórios, soluções adotadas para o corpo continuar se movimentando sem sofrimento.

Mesmo que, para se proteger, tenha que produzir uma carga excessiva sobre determinada estrutura ou algum tipo de tensão nos músculos. O corpo busca se equilibrar, pois, se manter equilibrado é prioridade e as soluções encontradas são sempre econômicas.

Fará de tudo para não sofrer mesmo que esse esquema adaptativo comprometa a nossa mobilidade, levando a um desgaste excessivo de energia e deformações corporais num futuro, os desgastes mecânicos. O corpo se protege, mas compromete a sua função.

Ao longo prazo, talvez nem tão longo assim, esse mecanismo aparentemente efetivo, gerará as mais diversificadas lesões. Se o ajuste mecânico não for realizado, essas estruturas já tendem a apresentar algum nível de desgaste articular, deformidades estruturais, alterações de força e mobilidade muscular.

A manutenção equilibrada da postura parada e do controle do movimento são condições fundamentais para nosso corpo responder de maneira eficiente as demandas impostas. A coluna sofre um dilema contraditório, precisa ser estável o suficiente para ter suporte e precisa também manter sua mobilidade para que os movimentos aconteçam de forma organizada.

Por isso que o Sedentarismo é um dos maiores inimigos da coluna vertebral. Pois a falta de atividade muscular impede a restauração dos limites fisiológicos do corpo. A boa estratégia para manter o corpo estabilizado, móvel e saudável é o movimento, mas o cuidado com a rigidez imposta deve ser redobrado.

Os excessos de força sem mobilidade devem ser repensados e é fundamental entender como as disfunções do corpo se desenvolvem para definir estratégias para a prevenção, tratamento e treinamento. Os primeiros sinais de desconforto, nem sempre aparecem porque seu corpo está com sérios problemas, mas porque ele está te pedindo ajuda. Tudo só é possível se o corpo estiver equilibrado e se formos profissionais críticos, com bases para analisar cada caso, sem negligenciar a necessidade de cada corpo.