Era uma terça-feira à tarde, ela chegou apreensiva, com uma linha de expressão no meio da testa, demonstrando sua preocupação. Exames na mão e o medo se fazia presente em cada palavra dita. O diagnóstico, hérnia discal cervical, muita dor no pescoço, na cabeça e limitação do movimento. Mas o que mais amedrontava era a indicação cirúrgica e a contra indicação.

Deixar de lado sua paixão em pedalar. Ela sabia que já não era mais seguro, pois seus movimentos no pescoço estavam limitados, e o sofrimento posterior aos Km em cima da bike a deixava arrasada. O que era prazeroso já não estava sendo realizado com satisfação.

Vendo toda a situação, após avaliar, eu propus que fizéssemos uma tentativa antes da cirurgia. Acredito que esta deve ser feita, quando todas as batalhas são perdidas e não existam mais forças e nem armas para lutar. Bom, ela aceitou e se permitiu tentar.

Iniciamos com sessões de Reeducação Postural, RPG, semanalmente. Um pescoço rígido, sem mobilidade, repousava sobre as minhas mãos, sem falar no pânico que ela sentia toda vez que eu mobilizava essa região. Fomos criando uma conexão, construímos confiança a cada tração, a cada ponto de tensão liberado, a cada articulação mobilizada, a cada marca deixada pela ventosa, a cada postura realizada.

O medo e a insegurança foi dando espaço à esperança, a dor foi dando espaço à liberdade, a confiança e a vontade de subir novamente na bicicleta foram aumentando a cada semana. Foram meses, de ganhos e perdas, de alívio e de dor, mas não desistimos e aos poucos, ela voltou a andar de bicicleta.

As crises de dor foram diminuindo, o pescoço já movimentava com liberdade e podia desfrutar da paisagem dos passeios que realizava. Introduzimos o Pilates a rotina com a Fisioterapeuta Taynara F. Patricio e as sessões de RPG ficaram mais espaçadas, a cada 15 dias.

A cada movimento uma superação. O Pilates está devolvendo ao corpo toda a funcionalidade que havia perdido nos momentos de tensão, é um retorno à vida, a cura do corpo e da alma. Sem impedimentos, com equilíbrio, com força, sem medo.

Sem olhar para a dor, em busca da causa do desequilíbrio corporal, visualizando a Rejane, não uma hérnia cervical. O Pilates e o RPG estão sendo realizados de forma construtivista e humanista, entendendo seu corpo, sua ação muscular. O autoconhecimento, o desenvolvimento.

É impossível viver bem com dor, mas é possível viver sem dor. Com paciência, determinação e vontade. É preciso enfrentar, querer e seguir. Ainda estamos no processo, aliás, cuidar da saúde física e mental é algo a ser feito sempre, diariamente, como escovar os dentes.

Nunca parar, ainda mais, quando já existe alguma alteração ou algum desconforto. Já imaginou se ela, Rejane Carvalho, naquele momento que recebeu o diagnóstico de hérnia e indicação cirúrgica, tivesse acreditado que este seria o seu destino?

Precisamos quebrar as crenças, entender que somos únicos e o nosso corpo é muito mais forte e sábio do que nos fazem acreditar. Não é fácil, mas ninguém disse que seria, é trabalhoso, mas diante da dificuldade podemos escolher caminhos que nos levam para mais longe, com mais qualidade e percebendo que sim, é possível viver bem com hérnia de disco.

É possível Viver com um diagnóstico “ruim” e não apenas sobreviver a ele. Você desiste ou se permite? O que você faz? São necessárias doses saudáveis de ceticismo a tudo o que ouvimos e vemos, buscar mais informações, mais conhecimento e mais certeza daquilo que nos é doutrinado.

Afinal, é você que vivenciará o processo, a escolha do caminho é sua, nem tudo que é mais fácil é o melhor. E está valendo a pena, os meses de RPG, os movimentos no Pilates, cada nova oportunidade de aprender, cada libertação das dores físicas, do estresse, da ansiedade, do sofrimento.

Hoje são 65 km de confiança, sem precisar fazer a cirurgia nesse momento, e talvez esse momento nem chegue, podendo fazer o que mais gosta, pedalar... Ah, sem esquecer do crochê!

Andreia Chiavini Movimento e Bem Estar

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