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É possível controlar a Enxaqueca?

Foto: Pixabay

Por: Erika Tavares

09/05/2023 - 13:05 - Atualizada em: 09/05/2023 - 16:17

 

Neste mês de maio, comemora-se no dia 19 o Dia Nacional do Combate à Cefaleia. Cefaleia é o nome técnico dado à dor de cabeça. Data em prol de reiterar a importância de prevenir e buscar tratamento para uma condição de saúde que atinge metade da população mundial.

Em uma revisão recente publicada pelo renomado The Journal of Headache and Pain, estima-se que 52% da população global é afetada por algum tipo de dor de cabeça. O que configura um problema de saúde pública. Além de ser altamente prevalente e incidente, a cefaleia é uma das queixas mais comuns nos serviços de atenção primária, como postos de saúde, e de emergência. Além disso, a grande maioria das pessoas desconhece que o quadro de dores de cabeça crônicas é uma doença e que precisa ser tratado.

A Enxaqueca é um dos tipos de dor de cabeça crônica mais incapacitantes. Acomete cerca de 14% da população do mundo, principalmente mulheres, que são 3 x mais acometidas que os homens. Desde 2019, segundo o Global Burden of Disease Study (GBD), a Enxaqueca é considerada a segunda causa de anos vividos com incapacidade, e a primeira causa entre mulheres jovens.

Essencialmente são as condições hormonais que justificam a maior ocorrência de Enxaqueca em mulheres. Na puberdade, quando iniciam os ciclos menstruais, a mulher já começa a ter mais dor de cabeça, podendo apresentar três vezes mais neste período. Esta é também a idade de maior exigência profissional e acadêmica da mulher. Ou seja, a fase mais desafiadora da vida de uma mulher é também a fase que ela mais sofre enxaqueca.

A enxaqueca é uma doença genética, mas estresse, privação do sono e jejum prolongado, são alguns fatores que podem facilitar ou desencadear crises em um organismo predisposto geneticamente à enxaqueca.

Os ciclos menstruais e as oscilações hormonais acabam resultando muitas vezes em dores de cabeça no período menstrual. Essas dores de cabeça são do tipo enxaqueca em 70% das mulheres, e ocorrem pela queda do hormônio estrogênio logo antes da menstruação. Em mulheres que já têm o fator genético, soma-se, então, outro gatilho para desencadear crises de dor mais intensas, mais prolongadas, com mais sintomas associados e mais resistentes aos analgésicos. Lembrando que podem acontecer também dores de cabeça fora do período menstrual.

O diagnóstico precoce permite que possamos traçar uma estratégia junto com o paciente para reduzir essas dores e prevenir para que elas não voltem a aparecer e haja um controle eficaz. No tratamento preventivo, podem ser indicados medicamentos orais, assim como os medicamentos injetáveis, como o bloqueio de nervos e os anticorpos monoclonais. Esses tratamentos irão realizar uma neuromodulação, ensinando esse cérebro a não perceber tudo como um estímulo doloroso.

A prevenção é a peça-chave para o controle das dores de cabeça crônicas. Se você está sofrendo com dores de cabeça frequentes, dores que estão se intensificando, ou se automedica buscando um alívio transitório é hora de buscar um neurologista, nessa frequência o problema já pode ter se tornado crônico e necessitar um tratamento específico. Viver com dor não é normal, procure um neurologista especialista em dores de cabeça para controlar suas dores e melhorar sua qualidade de vida.

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Erika Tavares

Erika Tavares, médica especialista em Neurologia.