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Suspeito de liderar golpe que fez aposentada perder R$ 37 milhões é de SC e foi preso em aeroporto no Rio

Foto: Polícia Civil

Por: Elisângela Pezzutti

14/08/2026 - 13:08 - Atualizada em: 14/08/2026 - 13:19

Um dos principais suspeitos de integrar o esquema de falsos investimentos que levou uma aposentada de 70 anos a perder R$ 37 milhões foi preso nesta sexta-feira (14), no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. A prisão ocorreu durante uma operação da Polícia Civil que investiga uma organização criminosa suspeita de estelionato por meio eletrônico e lavagem de dinheiro.

A vítima recebeu uma herança e, ao longo de seis meses, transferiu todo o patrimônio para uma plataforma de investimentos fraudulenta, atraída por promessas de alta rentabilidade. Mesmo após receber alertas de seu corretor oficial, ela decidiu retirar os recursos da instituição regular e enviá-los para a plataforma falsa.

A investigação identificou 140 possíveis vítimas do esquema em diferentes estados do país. Ao todo, três suspeitos foram presos em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, enquanto outros sete continuam foragidos.

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O homem preso nesta sexta-feira não teve a identidade divulgada. Ele foi detido com apoio da Polícia Federal (PF), no momento em que embarcaria em um voo de volta para Santa Catarina.

“Nós identificamos que ele tinha uma passagem comprada para voltar do Rio de Janeiro para Santa Catarina no dia de hoje. Nós fizemos contato com a Polícia Federal, que então, no momento do embarque, executou a prisão dele”, explicou o delegado Eibert Moreira.

O suspeito, que é morador de Balneário Camboriú (SC), é dono de uma das instituições financeiras investigadas. Uma conta bancária vinculada ao CPF dele movimentou R$ 77 milhões. Segundo a polícia, parte dos valores foi depositada logo após o golpe que fez a aposentada perder todo o patrimônio.

Golpe movimentou R$ 30 bilhões

A investigação aponta que as transações suspeitas realizadas pelo grupo chegam a R$ 30 bilhões. Uma das instituições financeiras investigadas movimentou R$ 295 milhões em apenas um dia. Em São Paulo, uma empresa também apresentou movimentação considerada atípica de R$ 500 milhões no período investigado.

A operação, chamada de Criptoabate, cumpriu 90 ordens judiciais em três estados. Entre os investigados estão proprietários de instituições financeiras que atuavam na conversão de valores para criptomoedas.

De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos se apresentavam como funcionários de uma empresa identificada como TDASX, que encerrou as atividades após o início das investigações. A polícia afirma que uma gerente de uma instituição financeira tradicional também está entre as investigadas. Ela seria responsável por facilitar a abertura de contas utilizadas pelo grupo para distribuir os valores recebidos das vítimas.

O esquema é conhecido internacionalmente como “pig butchering”, ou “golpe do abate de porcos”. A prática consiste em conquistar a confiança da vítima e, posteriormente, convencê-la a realizar investimentos cada vez maiores em plataformas fraudulentas.

Aposentada transferiu patrimônio durante seis meses

Segundo a investigação, a vítima já tinha experiência no mercado financeiro e apresentava perfil considerado agressivo, com preferência por investimentos de maior rentabilidade.

Mesmo diante das recomendações do corretor para que não realizasse aportes elevados em aplicações consideradas arriscadas, ela retirou os recursos que mantinha em uma corretora regular e transferiu o dinheiro para a plataforma fraudulenta.

Além da herança, a aposentada também perdeu parte dos rendimentos que havia acumulado anteriormente em investimentos realizados por meio da instituição regular.

A orientação da polícia é desconfiar de promessas de rentabilidade muito acima da média do mercado, plataformas que não possuem credenciais verificáveis e pedidos de novos depósitos para liberar valores que supostamente já foram investidos.

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Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.