De acordo com a delegada Alice Fernandes, da 3ª Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, a criança apresentava lesões na cabeça, nas nádegas e nas pernas. Os exames periciais deverão apontar quando esses ferimentos foram provocados.
A investigação também busca identificar como as lesões ocorreram e quem pode ter sido responsável por elas.
Segundo a delegada, profissionais que atenderam a menina na unidade de saúde relataram à polícia suspeita de violência sexual, diante das características das lesões encontradas no corpo da criança.
“Os médicos narraram sinais visíveis de agressão, algumas marcas no corpo da vítima”, afirmou a delegada.
Tia relatou que menina passou mal durante a noite
A tia de Samylle, responsável por levá-la até a UPA, já prestou depoimento à Polícia Civil em duas oportunidades.
Conforme o relato apresentado por ela, ao retornar do trabalho para casa, encontrou a menina saindo do banho e percebeu que a criança apresentava lesões pelo corpo. A mulher teria questionado o companheiro sobre a situação, o que resultou em uma discussão.
Ainda segundo a delegada, depois disso, a menina foi para o quarto dormir.
“A menina foi para o quarto dormir. Quando a tia passou, a menina estava na cama, dormindo. Viu que ela apresentava uma espuma pela boca, como se estivesse convulsionando”, relatou Alice Fernandes.
Até a publicação da reportagem, a Polícia Civil informou que não havia suspeitos formalmente identificados. Todas as pessoas envolvidas no caso eram tratadas, inicialmente, como testemunhas.
Investigação também apura quem tinha a guarda da criança
Outro ponto que será analisado pela investigação é a situação da guarda de Samylle no momento da morte.
A menina e a irmã, de 9 anos, haviam sido afastadas da convivência com o pai e a mãe no ano passado, após uma suspeita de violência sexual. Na época, o Conselho Tutelar recomendou que as duas passassem a morar com os avós maternos.
No entanto, a tia de Samylle informou à Polícia Civil que a criança estava morando com ela. Conforme a delegada, documentos indicam que, no início de julho, o Conselho Tutelar teria concedido à mulher um termo de responsabilidade pela menina. A tia também estaria em processo para tentar obter a guarda judicial da criança.
Em nota, a Defensoria Pública confirmou que a tia procurou o órgão na última quinta-feira (13). Segundo a instituição, ela foi encaminhada pelo Conselho Tutelar devido à “impossibilidade de exercício da guarda pela mãe”.
A Polícia Civil aguarda agora a conclusão dos laudos periciais, que devem ajudar a esclarecer a causa da morte, o período em que as lesões foram provocadas e as circunstâncias do caso.