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Operação Eixo apura uso de empresas sem capacidade operacional e cumpre mandados em Jaraguá do Sul

Foto: Divulgação/Polícia Civil

Por: Gabriel JR

10/04/2026 - 09:04 - Atualizada em: 10/04/2026 - 09:08

Jaraguá do Sul está entre as cidades onde são cumpridos mandados da Operação Eixo, deflagrada na manhã desta sexta-feira (10) contra uma organização criminosa investigada por tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Ao todo, são 96 mandados judiciais cumpridos em sete estados. A ação mobiliza cerca de 200 policiais civis e ocorre no Distrito Federal, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Paraná e Santa Catarina. No estado catarinense, os mandados são executados em Jaraguá do Sul e São Lourenço do Oeste.

Nesta fase da operação, foram autorizados 40 mandados de prisão temporária, com prazo de 30 dias, além de mandados de busca e apreensão em 56 endereços. As ordens judiciais também incluem medidas patrimoniais, como indisponibilidade de bens de 49 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, além do bloqueio de até R$ 1 bilhão em contas, ações custodiadas na CVM, veículos, imóveis e criptoativos.

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Segundo a investigação, iniciada em 2024, a organização atuava no abastecimento do mercado de drogas no Distrito Federal e mantinha uma estrutura voltada à ocultação de valores ilícitos.

No eixo financeiro, as apurações apontaram um mecanismo altamente estruturado de lavagem de dinheiro, com uso de empresas de fachada, contas bancárias de terceiros, criptoativos e operadores distribuídos em diferentes unidades da federação. Também foram identificadas pessoas jurídicas de curta duração e sem capacidade operacional compatível com os valores movimentados, registradas em estados como Amazonas, Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

Foto: Divulgação/Polícia Civil

Ainda conforme a investigação, houve pulverização de recursos por meio de transferências em valores padronizados, uso de plataformas de criptoativos e saques massivos em espécie, estratégia que teria sido utilizada para dificultar o rastreamento patrimonial e a atuação dos mecanismos oficiais de controle. Em uma das contas investigadas, a movimentação superou R$ 79 milhões em curto período.

As apurações também alcançaram investigados estrangeiros apontados como peças relevantes na engrenagem financeira e logística vinculada aos núcleos criminosos investigados. Entre os alvos estão dois colombianos e um venezuelano. Um dos colombianos já havia sido investigado pela Polícia Federal por atuação em um núcleo de lavagem de dinheiro no Amazonas ligado a uma facção criminosa originária do Rio de Janeiro, estava em difusão vermelha da Interpol e foi preso recentemente na Espanha. O outro colombiano está preso em seu país de origem. Já o investigado venezuelano está localizado em Santa Catarina.

A investigação também cita um episódio envolvendo um dos responsáveis pela recepção e distribuição de drogas remetidas ao Distrito Federal. Ele morreu em agosto de 2024 em confronto com a Polícia Militar de Minas Gerais, enquanto transportava um grande carregamento de maconha, portava arma de fogo de uso restrito e mantinha anotações ligadas à contabilidade do tráfico.

Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, pelos crimes de tráfico interestadual de drogas, organização criminosa majorada pela conexão com outras organizações criminosas independentes e lavagem de dinheiro majorada. Somadas, as penas em abstrato variam de 13 a 55 anos de reclusão, além de multa.

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Gabriel JR

Repórter e radialista com 15 anos de experiência na área de comunicação