Um levantamento da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) em Jaraguá do Sul aponta que o índice de reprovações no teste prático para retirada da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no primeiro quadrimestre de 2019 foi de 70%. Foram registradas 1.124 reprovações contra 477 aprovações no período.

O número é muito maior que o apontado nos primeiros quatro meses de 2018, quando o índice de reprovação era de apenas 3%.

No primeiro quadrimestre do ano passado, foram realizados 1.707 exames práticos de direção na cidade e foram reprovados 64 alunos, enquanto que 1.653 candidatos foram aprovados.

De acordo com o delegado regional Fabiano dos Santos Silveira, após a deflagração da operação Sinal Vermelho, que investiga um esquema de corrupção envolvendo autoescolas da região e um examinador de trânsito, o setor de exames de CNH vem passando por uma restruturação, principalmente para atender o grande número de reprovados.

 

 

“A gente entende a grande demanda para retirada das carteiras nacionais de habilitação, mas o trabalho iniciado nesta gestão está assentado nos seguintes pilares: resgatar a credibilidade do setor e obediência restrita à legislação de trânsito”, comenta o delegado regional.

Silveira afirma que está em constante conversa com a diretora do Departamento de Trânsito de Santa Catarina (Detran-SC), Sandra Mara Pereira.

Segundo ele, há uma sensibilização do órgão para com a situação de Jaraguá do Sul e há um compromisso para ter condições ideais para atender a demanda local.

O plano é que o setor ganhe mais um examinador no segundo semestre. Além disso, há a possibilidade da vinda de profissionais de outras regiões do Estado para reforçar a quantidade de testes feitos em Jaraguá do Sul.

“São situações que estão sendo tratadas com a diretora do Detran-SC. Santa Catarina não tem neste momento um curso para a habilitação de novos examinadores de trânsito. Houve uma sinalização no início desta semana de que haverá um novo curso no segundo semestre. Isso ocorrendo, vamos reforçar o setor com um policial civil da cidade”, afirma.

 

Testes não são rígidos, diz examinador

O atual examinador de trânsito, Elisandro Miguel dos Santos, afirma que havia dois outros examinadores realizando os testes antes dele neste ano e que os índices de reprovação eram os mesmos.

Nas sextas-feiras, há uma outra examinadora atuando na cidade e os números continuam iguais.

“As pessoas falam que os testes estão rígidos, mas a gente cobra o que a legislação manda. O teste é nacional e tudo o que eu cobro é cobrado nos outros estados. A resolução 168/2004 do Conselho Nacional de Trânsito e o Código de Trânsito Brasileiro regula os testes”, explica.

Elisandro conta que não há um circuito pronto e não há tempo limite para a realização dos testes.

O trajeto sempre é modificado pelo examinador para deixar o exame prático mais dinâmico e evitar que o antecessor comente os locais por onde passou.

“Esse item é discricionário da administração. Eu sempre procuro tornar o exame dinâmico e continuo mudando o trajeto, porque, senão, as autoescolas fazem aquela coisa decorada. Eles só rodam com o aluno por aquele trecho e o aluno fica tão mecanizado que só passa com a decoreba”, descreve o examinador de trânsito.

Falta da seta de direção

O erro mais comum nos testes feitos em Jaraguá do Sul é a não utilização da seta para indicar a mudança de direção. De acordo com Elisandro, esse item conta três pontos no exame. Os alunos que fazem o teste prático de direção podem contabilizar quatro pontos.

“Se o aluno errar uma seta fica pendurado, porque só pode chegar a três pontos. Se ele errar qualquer outra coisa, reprova. O pessoal esquece muito e acaba errando. O nosso circuito começa dentro do Pavilhão de Eventos com a baliza e muita gente acaba errando ali o sinal”, frisa.

Além da falta da sinalização da mudança de direção com a seta, os erros mais comuns cometidos pelos candidatos a motorista são deixar o carro desligar por falta de equilíbrio entre embreagem e aceleração (dois pontos) e a execução da baliza (eliminatória).

“Há dias em que quase 100% dos candidatos reprovam na baliza. Existem várias faltas que eliminam o candidato como o excesso de velocidade, causar um acidente durante a prova. Há uma lista regulada pela resolução 168/2004”, esclarece.

Interesse público

O chefe da Polícia Civil e do Ciretran na região destaca que o novo examinador vai trabalhar na mesma filosofia do policial civil que está atualmente na função.

Ele afirma que há uma observância das regras de trânsito e a certeza de que o condutor aprovado está minimamente preparado para dirigir.

“Nesse contexto, Jaraguá do Sul e região passa por um momento de reflexão. Uma reflexão dos órgãos públicos, de todos os entes envolvidos no sistema de formação de condutores e da própria comunidade de que a cidade é segura, mas tem um trânsito violento”, pondera.

Silveira comenta que a melhora do índice de acidentes na cidade é de interesse público e que, evidentemente, passam pela capacidade dos condutores dos veículos.

Para ele, só o cumprimento da lei vai fazer com que o trânsito de Jaraguá do Sul fique mais seguro.

 

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