Uma das vítimas do técnico Joares Sérgio Silvano conversou com a reportagem de O Correio do Povo nesta terça-feira (26). O rapaz, hoje com 19 anos, conta que foi assediado quando tinha 12 anos.

O jovem, que pediu para não ser identificado, treinou com Joares durante um ano e meio e diz que começou a ser assediado após um ano treinando naquele clube.

 

 

Além da promessa de entrar em um grande time, Joares oferecia chuteiras, bolas e outros materiais esportivos para ganhar a confiança das crianças.

Em troca, pedia favores sexuais e, no caso do rapaz entrevistado pelo OCP, registrá-lo sem roupa. Por não suportar as ofertas libidinosas do técnico, o jovem abandonou o treinamento, mas nunca contou o motivo da sua saída para os pais.

“No começo era um outro papo. Ele falava que tinha uma mulher que morava perto da casa dele, uma coroa, que pagava bem pelas fotos e vídeos da criança nua. Contava que o dinheiro que pegava com a mulher era utilizado para comprar as coisas para o atleta. Na época, eu acreditava, mas hoje eu acho que era tudo mentira”, lembra.

O rapaz conta que era titular no time e foi levado por Joares para fazer um teste no Club Athletico Paranaense. Ele aguentou o assédio enquanto era convidado para tirar fotos.

Mas, depois, o técnico passou a ser mais ousado nos convites e instigava o garoto a receber sexo oral. Depois disso, não conseguiu ficar no futebol de campo e passou a treinar futsal.

“Até aquele momento em que me pedia para realizar fotos, eu fiquei de boa, porque achava que essas fotos eram para a mulher. Ele me dava chuteiras, peso para a academia. Eu achava que iria ficar nisso, mas chegou um ponto que ficou demais para mim, sabe?”, conta, ao ressaltar que nesse momento foi convidado a receber e fazer sexo oral no treinador.

“Ele sempre falava pra isso ficar entre nós. Daí, eu saí porque isso foi o cúmulo pra mim”, completa.

Abusos na mídia

O jovem conta que tomou coragem para entrar em contato com o jornal após a história da prisão de Joares chegar na imprensa. O rapaz não tinha ideia de que o assédio era cometido com outras crianças e que outras vítimas foram feitas conforme o tempo passou.

Ele espera que outros tomem coragem para contar as suas histórias para que os crimes cometidos pelo treinador não fiquem impunes.

“Eu sinto uma tristeza em saber que esse cara se aproveita do sonho de vários garotos. Nessa idade, entre 10 e 13 anos, todos os garotos querem ser jogadores de futebol. Ele se aproveita disso para se satisfazer. Eu não fazia ideia se ele tinha continuado com isso, mas pelo tempo que veio à tona deve fazer muito tempo que ele faz isso. Demorou para todo mundo ficar sabendo”, relata.

A vítima de Joares afirma que sente revolta quando lembra do que ocorreu na infância. O jovem ressalta que os pais têm total confiança no treinador da escolinha de futebol.

“Hoje, com a minha idade, eu não sei o que eu faria se isso tivesse acontecido com um filho meu. É um lugar em que você leva a criança e acha que ela vai estar sob bons cuidados, se divertindo. E, no final, está com um vagabundo desses”, finaliza.

Investigação continua

A Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente e à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) de Jaraguá do Sul continua apurando abusos sexuais cometidos pelo treinador.

De acordo com a delegada titular da delegacia especializada, Cláudia Cristiane Gonçalves de Lima, o técnico futebol pode ter feito vítimas que hoje são adultas e estão com os crimes prescritos.

 

 

Mas ela ressalta que as vítimas já adultas devem procurar a DPCAMI para denunciar os abusos sexuais, pois os crimes só prescrevem 20 anos após a vítima completar 18 anos.

“Os depoimentos são importantes para construir um perfil dele para uma futura análise de condenação. É importante que essas vítimas compareçam na delegacia para que a gente faça a oitiva e adicione aos autos para um eventual aumento da condenação”, destaca a delegada.

Joares foi preso na manhã desta segunda-feira (25), no campo em que dava aula. Um mandado de prisão preventiva foi expedido pela Justiça e outro de busca e apreensão foi cumprido na casa em que ele mora com os pais, no bairro Rau.

As investigações que culminaram na prisão do treinador começaram em fevereiro, após dois pais de vítimas procurarem a Polícia Civil. Até o momento oito vítimas foram identificadas. O técnico está preso no Presídio Regional de Jaraguá do Sul.

 

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