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Técnico utilizava o sonho de ser jogador de futebol para abusar de meninos em Jaraguá do Sul

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Foto Fábio Junkes/OCP News
Foto Fábio Junkes/OCP News

Descrito como um técnico de futebol sério e exigente, Joares Sérgio Silvano, 45 anos, teve sua faceta cruel revelada após dois alunos, com idades entre 11 e 12 anos, revelarem que foram vítimas de abuso sexual em Jaraguá do Sul.

Com a desculpa de conseguir contratos com grandes clubes de futebol, utilizava sua posição de poder para satisfazer os desejos.

As denúncias foram feitas pelos pais dos dois meninos em fevereiro na Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente e à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) de Jaraguá do Sul.

Lá, os dois garotos foram ouvidos por psicólogos policiais, que tomaram o depoimento das vítimas. Os menores tiveram aulas na escola de futebol que o técnico mantinha em um campo no bairro Três Rios do Sul.

Joares foi preso na manhã desta segunda-feira (25), no campo em que dava aula. Um mandado de prisão preventiva foi expedido pela Justiça e outro de busca e apreensão foi cumprido na casa em que ele mora com os pais, no bairro Rau.

Foto Polícia Civil/Divulgação

Equipamentos eletrônicos foram verificados, mas aparentemente o investigado não mantinha imagens de menores em seus dispositivos. Após ser levado para a DPCAMI e ser ouvido, o treinador foi levado ao Presídio Regional de Jaraguá do Sul.

A investigação apontou outras cinco vítimas do técnico de futebol, todas do sexo masculino. Uma oitava vítima chegou ao conhecimento da Polícia Civil após a prisão de Joares ser divulgada na imprensa.

A expectativa é que outros casos cheguem até a Polícia Civil, pois o treinador atuou durante muito tempo em diversas escolinhas, sempre nas categorias de base. Os próximos depoimentos serão tomados diretamente no Fórum para evitar a revitimização das crianças - o chamado depoimento especial.

As crianças que fizeram as primeiras denúncias treinaram com Joares cerca de oito meses. Eles foram retirados em 2019, após os pais descobrirem os abusos.

“Sob o argumento de que ele iria conseguir patrocínio e ingresso em grandes clubes, ele coagia essas crianças a irem para o vestiário e praticava esses atos com eles”, conta a delegada titular da DPCAMI, Cláudia Cristiane Gonçalves de Lima, ao afirmar que o treinador se manteve em silêncio durante o depoimento.

Dano psicológico

A delegada afirma que os abusos criaram um grande dano psicológico nas vítimas, que podem levar esse trauma para a vida adulta. Um dos garotos contou para o pai sobre os atos libidinosos praticados pelo técnico após uma menina entrar no grupo de treinamento.

Ele ficou com medo de que Joares cometesse os mesmos atos contra a sua colega. A vergonha era tanta, que ele escreveu um bilhete e jogou pela janela para que o pai lesse posteriormente.

Mas o alvo de Joares não eram as meninas. O treinador cometia os abusos apenas contra garotos. “Talvez, ele achou que os abusos fossem mais danosos contra a menina. Então, ele tentou protegê-la e contou para o pai”, destaca Cláudia.

Esse pai conversou com o responsável por outro menino e, após as histórias virem à tona no âmbito familiar das vítimas, eles procuraram a Polícia Civil para fazer as denúncias.

“Outros cinco meninos procuraram a delegacia após saírem das aulas de futebol por causa dos abusos. Mas há uma cultura de que os meninos não denunciam. Eles sofrem os abusos e não denunciam. Quando os abusos acontecem com as meninas, é mais comum haver as denúncias. Além da cultura de não denunciar os abusos, eles temem que isso seja ligado a homossexualidade”, comenta a delegada.

Prêmio e castigo

O trabalho nas categorias de base rendeu um grande renome a Joares, que chegou a levar alguns de seus pupilos para grandes clubes de futebol.

Enquanto os meninos que aceitavam os abusos eram iludidos com a promessa de um futuro no esporte, os que não colaboravam com os atos sórdidos do treinador acabavam em outro grupo de jogadores. Ele pressionava os meninos a treinarem mais duro.

Os garotos acabavam enfrentando a ira do técnico e eram perseguidos durante os treinamentos. “Ele implementava uma forma de castigo para aqueles que se recusavam a praticar os atos sexuais com ele. Ele pegava no pé e realizava um treinamento mais rígido, mais duro com essas crianças”, enfatiza a delegada.

Investigado alega inocência

A reportagem do OCP entrou em contato com a defesa de Joares. A defesa ainda não sabe em quais artigos o treinador de futebol foi enquadrado. O

investigado alegou à defesa inocência e afirmou que não sabe quem são os garotos que fizeram as denúncias.

Ele acredita que os relatos foram realizados como represália a alguma atitude enérgica que teve durante os treinamentos.

 

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