O Dia de Combate à Violência Contra a Mulher foi lembrado nesta semana, no dia 25 de novembro. Mesmo os crimes relacionados ao ambiente doméstico sendo um dos principais problemas da segurança em Jaraguá do Sul, a cidade não registra feminicídios há mais de dois anos.

Os dois últimos assassinatos praticados contra mulheres no âmbito doméstico correram em 2018. Um deles foi contra Andreia Araújo, de 28 anos, no dia 5 de agosto daquele ano. Em 2019, Marcelo Kroin, companheiro da vítima, foi condenado a 20 anos por homicídio triplamente qualificado.

Andreia Araújo foi estrangulada pelo companheiro em uma residência no bairro Jaraguá Esquerdo | Foto: Arquivo OCP

O segundo feminicídio registrado naquele ano vitimou Luciane Ribeiro, de 25 anos. Ela foi morta a tiros em uma residência no bairro Santo Antônio, no dia 26 de setembro. Depois, o companheiro de Luciane, em liberdade durante uma saída temporária do presídio, se matou.

Conscientização

O comandante do 14º BPM (Batalhão de Polícia Militar), tenente-coronel Márcio Leandro Reisdorfer, assumiu o comando da unidade no ano em que ocorreram os crimes. Ele lembra que, em 2018, foram registrados ainda outros dois homicídios cometidos por mulheres contra os companheiros.

“Em 2019, eu e o delegado regional traçamos uma estratégia de sensibilizar a Associação Empresarial de Jaraguá do Sul. Nós pedimos ajuda para montar uma campanha no RH das empresas e através de outdoors, anunciando que as mulheres teriam apoio através da Rede Catarina”, destaca o comandante.

Outra campanha no ano passado buscou conscientizar sobre como a violência doméstica pode repercutir na vida adulta das crianças. Em 2020, uma nova ação foi realizada com foco no incentivo a denúncias de crimes contra mulheres, idosos e menores.

Crimes na pandemia

As campanhas podem ter surtido efeito nas ocorrências de violência contra a mulher na região de Jaraguá do Sul. O índice desse tipo de crime chegou a crescer no início da pandemia do novo coronavírus, mas apresentou queda com o decorrer das medidas restritivas.

De janeiro a outubro deste ano, foram registradas 501 ocorrências em Jaraguá do Sul, Guaramirim, Schroeder, Massaranduba e Corupá. No mesmo período do ano passado, foram registrados 581 casos, ou seja, houve uma redução de 13% em 2020.

“Acreditamos que esse trabalho de conscientização tem surtido efeito. É claro que a atividade da Rede Catarina aumentou. Hoje, nós temos um botão do pânico para mulheres com medida protetiva no aplicativo PMSC Cidadão. Ao acionar esse recurso, a guarnição mais próxima é chamada”, comenta Reisdorfer.

Reforço na DPCAMI

O delegado regional Fabiano dos Santos Silveira destaca que a 15ª Delegacia Regional de Polícia também reagiu ao problema. O efetivo da DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso) ganhou reforços.

Fabiano destaca que a região conta com o mesmo efetivo do ano passado. Porém, frisa que foram feitos ajustes nas equipes das delegacias. O objetivo das mudanças foi aumentar a capacidade de atendimento e dar maior resposta para crimes que necessitam de investigação.

Um agente de polícia foi transferido da Delegacia da Comarca de Guaramirim. Além disso, mais um escrivão entrou na equipe comandada pela delegada Roberta França. Ele cuida exclusivamente do cartório de crimes contra mulheres, a que exige mais demanda na unidade especializada.

“Conseguimos dar vazão a procedimentos e um mutirão foi feito pela delegada Roberta com relação aos inquéritos de 2017 e 2018. Com isso, a delegacia começa a dar uma resposta mais efetiva para esta questão”, comenta Fabiano.

O delegado regional também cita a parceria da DPCAMI com outras entidades, como a PM, a Secretaria de Assistência Social de Jaraguá do Sul, o Ministério Público e o Judiciário. Isso faz com que casos que estão no início do ciclo de violência recebam a devida atenção.

“Os casos que ainda não chegaram na violência física e estão na psicológica já têm atendimento efetivo em Jaraguá do Sul. Há essa integração de informações com as polícias e a Secretaria de Assistência Social, que mantém esse serviço de atendimento à vítima de violência doméstica”, conta.

 

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