Com uma grande identificação com Jaraguá do Sul, o comandante da 12ª RPM (Região de Polícia Militar) o coronel Amarildo de Assis Alves entra para a reserva remunera da Polícia Militar na próxima semana.

Amarildo estava há três anos no comando da regional, responsável pela gestão do 14º BPM (Jaraguá do Sul) e do 23º BPM, uma área com oito municípios. O comandante se despede da ativa após 37 anos e nove meses na corporação.

 

 

O coronel passa o comando para o tenente-coronel Márcio Leandro Reisdorfer, atual comandante do 14º BPM (Batalhão de Polícia Militar). A cerimônia está programada para a próxima terça-feira (16) e terá transmissão no canal da Polícia Militar de Santa Catarina no Youtube.

Nascido em Canoinhas, Amarildo chegou em Jaraguá do Sul no ano de 1998. O então capitão da PM foi designado para comandar a 3ª Companhia do 8º BPM, com sede em Joinville. O oficial participou da criação do 14º BPM em 2002 e teve participação direta na ativação e estruturação da unidade.

“Fui comandante da companhia por quatro anos e foi um aprendizado excepcional. Eu fui muito bem recebido pelas autoridades, o prefeito e membros da associação comercial. Eu pude me relacionar de uma maneira muito ética, profissional e sensata com a comunidade. Eu tenho muitos amigos aqui”, destaca.

Amarildo lembra que o batalhão começou a ganhar corpo e com o tempo ganhou a admiração dos jaraguaenses. Ele destaca que esse respeito se tornou cada vez mais forte e solidificado. Porém, em 2009, o major se tornou tenente-coronel e teve que assumir outro posto.

“Na época, eu fui agraciado com o comando do 23º Batalhão, em São Bento do Sul. Eu fui o primeiro comandante e, naquela época, eu confesso que não entendia porque eu tinha que sair de Jaraguá do Sul. Já estava enraizado e minhas filhas haviam crescido aqui e eu estava enraizado”, afirma.

O tenente-coronel continuou a morar em Jaraguá do Sul e seguia em um Ford Ka todos os dias para São Bento do Sul. Com horário para chegar e sem hora para voltar, enfrentava a subida da BR-280. Quando havia a interdição da rodovia, seguia pela Serra Dona Francisca.

“Eu fazia esse bate e volta todos os dias porque eu priorizei a minha família. Todos os meus amigos estavam aqui, os meus contatos sempre foram aqui. Mesmo trabalhando em São Bento do Sul, eu estava com essa comunidade”, destaca.

Carreira

Em 2015, Amarildo se tornou coronel e foi convidado a comandar a 3ª RPM, com sede em Balneário Camboriú. Começou sua peregrinação para o litoral, mas uma importante missão interrompeu a rotina. Após dois meses, foi convocado para controlar uma crise de segurança pública em Joinville.

“Fiquei em Balneário apenas durante a Operação Veraneio. Com a disputa entre facções, inclusive com a decapitação de um envolvido, o Comando-Geral orientou que eu fosse para Joinville, porque era um dos coronéis mais operacionais da Polícia Militar”, frisa.

Com o apoio do governador Raimundo Colombo, Amarildo foi para a 5ª Região de Polícia Militar. Em parceria com a Polícia Civil, ele conseguiu estancar a guerra entre as duas facções criminosas pela disputa do tráfico de drogas na maior cidade do Estado.

Colombo acabou criando a 12ª Região de Polícia Militar, um antigo pleito da comunidade jaraguaense, em 2017. Como sinal de gratidão pelo trabalho desenvolvido em Joinville, acabou convidando o coronel para ser o primeiro comandante da unidade, o que considera um grande prêmio.

O coronel começou do zero a 12ª RPM, com uma sala no 14º BPM. Após negociações com o governo do Estado, conseguiu o direito de instalar a unidade no antigo prédio da Fazenda Estadual. Três anos depois, ele entrega para Reisdorfer uma estrutura de comando e planejamento estratégico.

“Com o Reisdorfer, estou mostrando que os nossos indicadores podem cair a cada ano. Não só por um mérito nosso, mas um trabalho de quem também está na ponta, nas guarnições. Também temos que agradecer aos empresários e ao prefeito Antídio por nos dar a oportunidade de trazer melhores condições de trabalho para os nossos policiais militares. Hoje, eu saio da PM com o sentimento de dever cumprido”, finaliza.