A chacina de cinco pessoas em um hotel no Norte da Ilha não só chocou os moradores de Canasveiras como intriga a Polícia Civil por não ter caráter passional como costumam ser os assassinatos de vários membros de uma família. Desta vez, a morte de Paulo Gaspar Lemos, 78 anos; dos filhos Paulo Gaspar Lemos Júnior, 51, Leandro Gaspar Lemos, 44, e Katya Gaspar Lemos, 50; e do sócio Ricardo Lora, 39 anos, tem caráter de execução e indica acerto de contas.

Pelo menos esta é a principal linha de investigação da Polícia Civil, de acordo com o diretor de polícia da Capital, Verdi Furlanetto, e o diretor da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), Anselmo Cruz. Os dois chefes de polícia deram entrevistas sobre o caso no início da tarde.

"Temos algumas linhas em decorrência do histórico das vítimas que são empresários, tiveram alguns problemas financeiros e, alguns negócios que foram feitos a partir daí, é possível que alguém tenha sido prejudicado", avaliou o delegado Furlanetto.

A família Gaspar Lemos é natural de São Paulo e morava há pelo menos dez anos em Florianópolis. De acordo com a polícia, eles tiveram vários negócios em ambos os estados, incluindo o hotel onde residiam em Canasvieiras, comércio e loja de aluguel de carro.

Paulo Gaspar Lemos, o pai, não tinha nenhuma passagem por crimes graves em Santa Catarina. Mas em São Paulo, ele já foi investigado por estelionato. A polícia também investiga uma informação dando conta de que Paulo teria sido sequestrado em São Paulo. Mas até a tarde desta sexta-feira (06), não havia confirmação desse fato.

A polícia acredita que as mensagens nas paredes assinadas por facção de São Paulo devem ter sido deixadas como um álibi para desviar a autoria do crime, uma vez que a forma como o crime foi realizado não condiz com o modo de operação da facção em questão. O histórico da família também não indica tal relação.

"Não há movimentação que indique qualquer situação de envolvimento ou conflito com facções. Essa facção de São Paulo não tem esse tipo de violência como atribuição e nem assinatura de crime", destacou o delegado Cruz.

Família sofreu violência psicológica

A forma como os criminosos chegaram no hotel e abordaram as vítimas ainda não é uma informação completamente esclarecida. No entanto, o que a polícia sabe e pode esclarecer é que os cinco foram amarrados e depois dispersados pelos cômodos do hotel.

As vítimas estavam amarradas com os braços e pernas para trás e com uma corda envolvida no pescoço. Os corpos estavam embebecidos de gasolina, o que pode ter contribuído para a morte por asfixia. A família e sócio deve ter sido torturada psicologicamente das 16h até a meia-noite.

Uma sexta vítima, que é uma funcionária do hotel, também foi feita refém, mas conseguiu fugir perto da meia-noite, quando ocorreram as mortes.

Os criminosos estavam em três, usavam luvas e cobriam o rosto com capuz. Apenas um deles estava armado. Dois carros foram roubados sendo que um deles foi recuperado.

Confira trecho da entrevista

 

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