Caso Mari Ferrer: Absolvição de empresário denunciado por estupro foi fruto de “machismo”, defende advogada
Caso Mari Ferrer: Absolvição de empresário denunciado por estupro foi fruto de “machismo”, defende advogada

Por JusCatarina

A sentença proferida pelo juízo da 3ª Vara Criminal de Florianópolis absolvendo o empresário denunciado pela suposta prática de estupro de vulnerável dentro de um beach club de Jurerê Internacional foi fruto “machismo”.

A afirmação é da advogada Jackie Francielle Anacleto, defensora da influenciadora digital que figurou como vítima na ação penal.

Em entrevista ao Portal JusCatarina, a advogada sustenta que os autos trazem elementos que comprovam a materialidade e a autoria, razão pela qual “a condenação pelo crime é medida de justiça”.

Na entrevista, a advogada rebate as afirmações da Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) de que a sentença foi “amplamente fundamentada” e também contesta a alegação do promotor de Justiça que se manifestou pela improcedência da denúncia e consequente absolvição do réu, além de afirmar que vai acompanhar o procedimento instaurado pela OAB/SC para apurar a conduta do advogado do réu, criminalista Cláudio Gastão da Rosa Filho, durante audiência com sua cliente.

Advogada Jackie Anacleto

Confira:

JusCatarina – Qual a avaliação da senhora sobre a sentença que absolveu o denunciado pela prática de estupro de vulnerável no beach club de Jurerê Internacional, definida em nota da Associação dos Magistrados Catarinenses como “amplamente fundamentada”?

Jackie Anacleto – A materialidade do crime do estupro está comprovada por meio do depoimento da vítima (era virgem fui dopada/estuprada dentro do beach club em que trabalhava) o exame de corpo de delito comprova que houve rompimento himenal, a vítima ao registrar a ocorrência afirmou não saber quem cometeu o crime a autoria do delito foi apurada pela autoridade policial, por meio do exame de DNA. Logo comprovadas a materialidade e autoria do crime de estupro, a condenação pelo crime e medida de justiça.

JusCatarina – O promotor de Justiça responsável pela manifestação pela absolvição afirmou posteriormente, também em nota, que o Ministério Público do Estado “buscou todas as provas possíveis” para condenação mas não encontrou. Como a defesa avalia o posicionamento do representante do MPSC?

Jackie Anacleto – Ratifico que a autoria do crime está comprovada por meio do DNA, a materialidade o depoimento da vítima e exame de corpo de delito, essas são as provas necessárias para pedir a condenação.

JusCatarina- Em uma live transmitida nesta quarta-feira (16) a senhora afirma que o juiz proferiu a sentença que absolveu o denunciado por “machismo”. Por que a senhora tem essa opinião?

Jackie Anacleto – Ratifico o posicionamento machista, porque deixaram a vítima ser humilhada em audiência pela defesa, com perguntas que não tinham relação com crime. Acredito que desde a fase policial todas as vítimas de estupro, quando adulta, são sempre desacreditas. E infelizmente, presenciamos isso no casa da Mariana.

JusCatarina Com quais argumentos a defesa vai apelar ao Tribunal de Justiça do Estado?

Jackie Anacleto – As razões do recurso de apelação está sendo realizada por outro advogado. Nós enquanto advogadas da Mariana, em outras ações (ação cível contra beach club e queixas-crime em relação aos ataques virtuais sofridos), iremos auxiliar a OAB-SC a investigar a postura do advogado de defesa na ação penal que absolveu o réu.

Contraponto

Citado pela entrevistada, ainda que indiretamente, o advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho foi procurador pelo JusCatarina e encaminhou a seguinte manifestação:

“Respeito a opinião da colega e entendo sua irresignação frente ao insucesso que experimentou no julgamento. O que se apresenta absolutamente incontroverso é que a referida ação penal se estendeu por quase dois anos, tendo em suas mais de 3,5 mil páginas inúmeros depoimentos, perícias e outros elementos que foram analisados pelo Ministério Público e pelo juízo, que reconheceram a absoluta falta de provas. A respeito da audiência, estou absolutamente tranquilo com relação à minha atuação, e lamento que pessoas se prestem a formular juízos de valor sobre trechos extraídos do contexto pontualmente, a fim de passar uma impressão daquilo que não ocorreu. Gostaria inclusive de poder divulgar a íntegra da audiência a fim de demonstrar que quem sofreu agressão, na verdade, fui eu, mas em respeito ao segredo de justiça deixo de fazê-lo.”
Cláudio Gastão da Rosa Filho

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Fonte: Portal JusCatarina

 


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