A duplicação do trecho urbano da BR-280 está trazendo novos desafios para os Bombeiros Voluntários de Guaramirim.

A corporação vem trabalhando para se adaptar a essa nova realidade com cursos, novos procedimentos e melhorias nas viaturas.

O comandante Maicon Ewald destaca que a rodovia concentra a maior parte dos acidentes atendidos pela corporação.

Uma das adaptações feitas foi a criação de um protocolo de sinalização da rodovia para o socorro das vítimas.

 

 

“A gente buscou um treinamento de sinalização de rodovia com a Arteris Litoral Sul. É uma situação totalmente diferente daquela que a gente está habituado, uma delas é a velocidade dos veículos, e depois a gente fez um procedimento interno de sinalização”, comenta Ewald.

Foto: BVG/Divulgação

Além do treinamento, os bombeiros voluntários também verificaram que os equipamentos precisavam de modificações. Um dos exemplos é o aumento no número de cones disponíveis nas viaturas.

Também foram feitos investimentos na parte de iluminação das ambulâncias.

Essas mudanças buscam dar mais visibilidade na hora do socorro à vítimas dos sinistros no trecho duplicado.

Além da velocidade maior dos veículos, uma das pistas pode estar liberada, o que não ocorre no trecho de pista simples, em que o trânsito para totalmente por causa do acidente.

Mudança na dinâmica dos acidentes

A duplicação não muda apenas os procedimentos feitos para garantir a sinalização e a segurança da operação.

A dinâmica dos acidentes também sofreu alterações com a ampliação do número de faixas, que chega a três em alguns trechos.

“Antes, nós tínhamos muitos acidentes motos e outros veículos. Isso acontecia por conta das travessias da pista.

Com a divisão, a gente não tem mais atendido esse grande número de ocorrências. Porém, com o aumento da velocidade, nós percebemos que há casos mais graves de atropelamentos e engavetamentos”, pondera.

Os bombeiros voluntários buscam identificar essas demandas para focar a maior parte do treinamento nessas situações. Ewald conta que serão feitas reciclagens com os socorristas para ampliar os conhecimentos sobre essa nova realidade das ocorrências.

Novo caminhão

Os Bombeiros Voluntários deram um grande passo para melhorar o atendimento dos acidentes na rodovia duplicada.

Em março do ano passado, o projeto do novo caminhão da corporação foi finalizado e entrou em operação. Só a montagem do veículo custou R$ 712.200.

“Quando nós fizemos o projeto desse caminhão, nós já sabíamos que ele iria atuar na rodovia. Além de algumas adaptações para que os bombeiros não fiquem tão expostos na pista e outras modernidades do veículo e que trazem uma maior segurança para o atendimento”, comenta.

Novos trajetos

A duplicação também trouxe grandes dificuldades para a corporação. Uma delas é no tempo resposta das ocorrências.

Com a divisão das pistas, os bombeiros voluntários são obrigados a percorrer um trajeto mais longo para chegar em alguns locais da cidade.

“Esse é um ponto delicado e o mais complicado. Sentimos a duplicação na pele. Para sair da nossa base e chegar com o caminhão no bairro Corticeira, levamos cerca de oito minutos”, afirma Ewald.

De acordo com o comandante, há o trajeto que é feito pela ambulância pelo bairro Avaí, mas esse mesmo caminho não pode ser feito com o caminhão.

As oito lombadas e a passagem de nível comprometem o tempo do deslocamento e desgastam o veículo.

“Com isso, nós temos que fazer o contorno no viaduto para poder seguir até o bairro. É um trajeto que, dependendo do trânsito, acaba nos atrasando. Há diversos fatores que influenciam no deslocamento, como o peso e a velocidade do caminhão. Temos cuidados com a frenagem do veículo, pois um erro pode acabar causando outro acidente”, finaliza.