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Sonho presidencial de Pablo Marçal depende da Justiça Eleitoral

Reprodução/Instagram/Pablo Marçal

Por: OCPNews Brasilia

20/08/2026 - 10:08 - Atualizada em: 20/08/2026 - 10:57

A entrada de Pablo Marçal na corrida presidencial colocou o ex-candidato a prefeito de São Paulo novamente nos holofotes políticos. No entanto, a tendência é que a candidatura à Presidência da República pelo PRTB seja barrada na Justiça Eleitoral por causa da Lei da Ficha Limpa. Após a eleição municipal paulistana, o empresário foi condenado à inelegibilidade por oito anos, em três processos no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) — sendo uma das decisões revertidas no final do ano passado.

O advogado especialista em direito eleitoral Arthur Rollo explicou que as condenações de Marçal não impedem o registro da candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), contudo, deve pedir a impugnação do registro por causa da inelegibilidade até 2032, prevista nos processos por abuso de poder econômico e pelo “concurso de cortes” para as redes sociais nas eleições de 2024.

Além disso, o retorno de Marçal ao PRTB, fora do prazo de filiação, também deve ser analisado pela Justiça Eleitoral para confirmação ou anulação do registro da candidatura.

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“A filiação dele está capenga, porque é via liminar, e ele tem essas inelegibilidades. […] Após o registro da candidatura, é publicado um edital com cinco dias para impugnação. A PGE vai impugnar com certeza. Ele terá o prazo de sete dias para se defender. Depois, o processo estará pronto para julgamento”, disse o especialista. Nesta quarta-feira (19), o Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu ao TSE a rejeição do registro de candidatura do presidenciável do PRTB.

Se o prazo for seguido, Rollo calculou que a candidatura de Marçal pode ser indeferida pela Justiça Eleitoral entre 15 e 20 dias. “Ele vai ficar como candidato nesse período até o julgamento no TSE. Então, em 45 dias de campanha, ele vai participar dos primeiros 20 dias e deve ficar de fora das urnas”, projetou.

Em entrevista ao Brasil Paralelo, Marçal declarou que as ações na Justiça Eleitoral — de autoria do PSB, que teve a deputada federal Tabata Amaral como candidata à prefeitura de São Paulo em 2024 — representam a “perseguição política” da esquerda e de outras siglas partidárias.

Além disso, o candidato defendeu a legalidade da candidatura pelo PRTB. “Não tem nenhum tipo de risco. A candidatura está válida, igual à de todos [os candidatos]. O que eles querem é me parar”, disse Marçal, que acrescentou que espera participar dos debates presidenciais na TV.

A campanha de Marçal foi procurada pela Gazeta do Povo, mas não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

A candidatura pelo PRTB, protocolada nos minutos finais do prazo, no último sábado (15), ocorreu após a liminar do juiz da 428ª zona eleitoral de Santana de Parnaíba, Gustavo Nardi. A decisão permitiu o retorno de Marçal ao PRTB, depois de ele ter se filiado ao União Brasil em março deste ano.

No domingo (16), o candidato Erciley Pires Santana (Novo-GO), que disputará o cargo de deputado federal pelo estado de Goiás, entrou no TSE com um pedido de impugnação da candidatura de Marçal. Ele questiona a liminar da primeira instância que permitiu a regularização da filiação do candidato ao PRTB com efeitos retroativos a 4 de abril, data-limite para filiação dos interessados em concorrer nas eleições de 2026.

Santana solicita que a Justiça Eleitoral investigue a suspeita de fraude no processo de filiação de Marçal e classifica a iniciativa do PRTB para registrar a candidatura presidencial como “ousada”. “A decisão judicial pelo deferimento da filiação é absolutamente precária e, pelo que consta, não se consolidará ao final do processo”, diz a petição.

Segundo o documento, o magistrado que concedeu a liminar afirma que a medida tem “finalidade exclusivamente provisória”, para permitir o registro da candidatura, mas não representa uma declaração definitiva de regularidade da filiação.Entrada de Marçal mexe na disputa digital entre candidatos a presidente

A Datrix divulgou nesta quarta-feira uma análise sobre o impacto digital da candidatura de Pablo Marçal à Presidência com dados colhidos entre sábado e terça-feira (18). O estudo mostra que Marçal não consegue “furar” a polarização digital de Lula e Flávio, mas a entrada do empresário na corrida eleitoral deixou Caiado e Zema para trás no alcance das publicações nas redes sociais.

“A atuação digital do Marçal precisa ser analisada frame a frame. Neste primeiro momento, ele vem para friccionar a terceira via”, resumiu o diretor-executivo da Datrix, João Paulo Castro, em entrevista à Gazeta do Povo.

O ex-candidato a prefeito paulistano passou a rivalizar diretamente com o presidenciável Renan Santos (Missão), que tem um perfil político semelhante e a mesma estratégia de uso das plataformas digitais. “Assim como conseguiu na eleição em São Paulo, precisamos ver se o Marçal vai conseguir expandir as discussões para fora da base dele. Ele demonstrou essa capacidade e isso é uma dificuldade do Renan Santos”, analisou Castro.

Com base e alcance nas redes, o diretor-executivo da Datrix ressaltou que Marçal deve utilizar as plataformas para se defender das acusações, que provocaram a inelegibilidade na Justiça Eleitoral. “Ele tem o jeito dele de se posicionar e de ser agressivo com os interlocutores, mas precisamos analisar como a base do candidato vai enxergar isso”, ponderou.

Em 2018, Lula registrou a candidatura presidencial enquanto permanecia preso na sede da Polícia Federal, em Curitiba, após as condenações em decorrência da operação Lava Jato. O petista teve o registro indeferido pelo TSE no dia 1º de setembro daquele ano com base na Lei da Ficha Limpa. Na decisão, os ministros determinaram a retirada do nome de Lula das urnas e estabeleceram um prazo de 10 dias para substituição do candidato.

O advogado eleitoral Arthur Rollo esclareceu que, por se tratar de um registro para a disputa presidencial, a candidatura de Marçal deve seguir o mesmo rito, com julgamento direto no TSE.

“Em uma eleição municipal, o candidato pode ficar até o final da campanha. Alguns casos chegaram ao TSE após as eleições. Esse é um ponto para a gente refletir sobre o aperfeiçoamento da legislação eleitoral”, comentou. “No caso de candidato a presidente da República, o julgamento já é direto no TSE — vide o caso do Lula, que foi retirado e saiu da urna”, completou.

* Com informações da Gazeta do Povo.

 

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