Autoridades de Israel disseram nesta quarta-feira (19) que não há expectativa para o fim dos ataques contra militantes palestinos em Gaza. Militares israelenses fizeram novos bombardeios aéreos, enquanto combatentes do Hamas dispararam mais foguetes por meio da fronteira. As informações são da Reuters.

Autoridades médicas palestinas disseram que 219 pessoas foram mortas em dez dias de ataques aéreos, que destruíram ruas, edifícios e outros elementos da infraestrutura e pioraram a situação humanitária já severa em Gaza.

O governo israelense estima em 12 o número de mortos no país, onde ataques de foguetes recorrentes causam pânico e fazem as pessoas fugir para abrigos. Esforços regionais e também liderados pelos Estados Unidos para a obtenção de um cessar-fogo se intensificam, mas até agora não tiveram sucesso.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não mencionou nenhuma interrupção dos combates, em comentários públicos feitos durante uma reunião com embaixadores estrangeiros. Disse que seu país está engajado em uma convencimento vigoroso para evitar conflitos futuros com o Hamas.

As hostilidades são as piores em anos entre o Hamas e Israel e, à diferença de conflitos prévios em Gaza, ajudam a incitar episódios de violência entre judeus e árabes nas ruas de cidades israelenses; agravando a situação está a relutância de ambos os lados em aceitar soluções não beligerantes para o cenário, tendo em vista a chamada "solução de dois estados" não é aceita pelo Hamas e pelo Likud, o partido do primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e ambos os movimentos políticos agem sob a convicção de que o outro deseja destruição do seu estado.

O Hamas, em seu manifesto, afirma que sua missão é a criação de um estado islâmico na Palestina e "a libertação da Palestina da ocupação israelense". O documento é datado de 1988, e algumas de suas posições mais radicais já foram abandonadas pelo movimento.

Por sua vez, o Likud tem como posição central na política externa a de que seus vizinhos desejam a destruição do estado de Israel e de é necessária uma política de "ataques preventivos" e "uma defesa forte" para evitar ataques contra a nação, embora a posição já tenha sido aliviada para considerar potenciais alianças.

Em comentários de uma sessão fechada de perguntas e respostas citados pela mídia israelense, Netanyahu disse: "Não estamos parados com um cronômetro. Queremos alcançar os objetivos da operação. Operações anteriores duraram muito tempo, então não é possível estabelecer um cronograma".

Em um ataque de 25 minutos de madrugada, Israel bombardeou alvos como túneis que seus militares disseram existir no sul da Faixa de Gaza e ser usados pelas brigadas Izz ad-Din al-Qassam, o braço armado do Hamas, o grupo islâmico que governa o território desde 2006.

Cerca de 50 foguetes foram disparados de lá, segundo os militares israelenses, e sirenes foram acionadas na cidade litorânea de Ashdod, ao sul de Tel Aviv, e em áreas mais próximas da fronteira de Gaza. Não surgiram relatos de ferimentos ou danos de madrugada, mas dias de disparos de foguetes perturbam muito os israelenses.

Quase 450 edifícios de Gaza, densamente povoada, foram destruídos ou seriamente danificados, incluindo seis hospitais e nove centros de atendimento de saúde primários. Cinquenta e dois mil palestinos foram deslocados, de acordo com a agência humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU).

* Reportagem adicional de Ari Rabinovitch