Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Google pode restringir atuação caso STF faça mudanças no Marco Civil da Internet

Foto: Adam Berry/Getty Images

Por: Pedro Leal

24/06/2025 - 19:06 - Atualizada em: 24/06/2025 - 19:46

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve retomar nesta quarta-feira (25) o julgamento sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet, que trata da responsabilização de provedores de serviços online por conteúdos postados por terceiros.

De olho na situação, o Google considera restringir sua atuação no Brasil caso sejam feitas mudanças muito amplas no artigo.

Ministros do STF buscam consenso sobre regulamentação de redes sociais

Clique e assine o Jornal O Correio do Povo!

As informações são da Folha de São Paulo. O presidente do Google Brasil, Fábio Coelho, afirmou que apoia alterações moderadas na legislação, como a inclusão de crimes graves, terrorismo e exploração infantil entre as exceções do artigo 19, mas adverte que modificações mais radicais poderão ter consequências no mercado.

Ele afirma que o tópico traz oportunidades para “melhorar o equilíbrio entre liberdade de expressão e responsabilização”. Ao mesmo tempo, espera que as determinações para remoção de conteúdos continuem sendo de responsabilidade da justiça.

Ele frisa que a responsabilização das plataformas mesmo antes da ordem judicial pode levar a uma remoção muito maior de conteúdos, a partir de uma simples denúncia do usuário. Hoje, o Google não remove determinadas postagens sem determinação da justiça, por considerar que os conteúdos devem ser de conhecimento público.

Segundo o executivo, é possível que uma nova regulamentação leve a “exigências tão estritas” como as do processo eleitoral de 2024. À época, a big tech decidiu descontinuar a venda de anúncios eleitorais após as regras de transparência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No momento, a Corte já formou maioria para responsabilizar as gigantes da tecnologia em caso de postagens “ilegais” por terceiros mesmo antes de decisões judiciais.

O placar é de 7 a 1, mas ainda faltam os votos de alguns ministros e não há uma posição final a respeito do caso.

O Google afirmou que mantém contato com os ministros do Supremo – em paralelo, a empresa se tornou a primeira big tech a integrar o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar).

A entidade atua na análise de possíveis violações às leis em propagandas, podendo impor multas e pedir alterações ou remoções de anúncios.

 

Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Pedro Leal

Analista de mercado e mestre em jornalismo (universidades de Swansea, País de Gales, e Aarhus, Dinamarca).